Comecei a minha terapia no dia 2 Maio de 2011; hoje, dia 30 de Janeiro de 2012, após 33 sessões, tive de a suspender.
Apesar de ter abdicado de fazer outros gastos supérfluos, sobrava do salário mensal aproximadamente 50€ e via as minhas poupanças diminuir lentamente. Seria possível continuar se, para além de não gastar nada senão despesas fixas, quisesse abdicar de dar prendas de aniversário e natal e ficasse em casa durante as ferias, previsivelmente neste ano de 2012 e no próximo. Ou seja, até terminar o Mestrado.
Outra opção seria desistir do Mestrado, mas na minha cabeça essa não se configura bem como uma opção. Tal como a falta de dinheiro suficiente ainda me parece mentira... Se não estivessemos a passar por esta crise económica absurda e eu não tivesse perdido os subsídios de férias e natal durante dois anos, não teria de fazer esta escolha...
Não me apetece entrar num processo de falso conformismo e falsa aceitação, em que "há pessoas que estão piores que eu", e "há quem não tenha pa comer ou para os medicamentos", ... Simplesmente é criminoso que este governo nos faça pagar uma dívida que foi contraída por maus gestores(governantes) eleitos para gerir o país. Que nos peçam contenção e auteridade, como se não tivessemos apenas uma vida para viver e esta geração fique com a sua história marcada e condicionada por estes roubos.
*Novembro*, a que queria poder dizer "fiz terapia e terminei um mestrado antes dos 30, sinto-me uma mulher inteira e segura", conta agora a história de "numa fase de mudanças estruturais com um impacto brutal na minha vida, tive a oportunidade de fazer terapia até controlar os sintomas mais avassaladores".
Terapeutas/pessoas assim são raras. Ela fez parte deste ensaio da contenção da minha ansiedade, face à nova vida, à nova relação, enquadrando e distinguindo o ciume, a descoberta e o prazer do real, a desconstrução de uma idealização, encontro com quem sou a dois. Consegui um pouco de afirmação face à família, conhecê-los e conhecer-me na relação com eles, e legitimar-me face ao que não quero nem estou disposta a querer. Muito pela rama, muito inicial; com diz a Vera, apenas fazer travar um carro desgovernado; pois estava agora a iniciar a marcha, devagarinho.
Tive a sorte de encontrar uma pessoa que me entendeu, não apenas nos meus dramas mas no meu padrão de funcionamento. Que sabe que antes de um confronto ou de um questionamento doloros, eu preciso de um tom afectivo contentor, amável e compreensivo, e que a partir daí posso olhar com maior liberdade e de modo pessoal para o problema/nuance. Espero que seja uma realidade o meu retorno a este processo, porque ainda tenho muitos objectivos enquanto Mulher e, futuramente, enquanto mãe, e sei que naquele espaço poderia, pelo menos, encontrar a minha direcção pessoal com maior tranquilidade e com uma companhia desimplicada.
Existe também um outro lado, pois neste reinício do carro em marcha lenta, ao afastar um pouco do véu que cobre o interior multi-complexo de qualquer pessoa, surge o receio e a hesitação; surge o cansaço do pensamento, a curiosidade de saber como me vou comportar e sentir agora sem terapia... Algo que sei ser perfeitamente natural e uma etapa lógica deste tipo de processos.
Mas sei que não saía agora se não fosse pelo dinheiro, ou melhor, por aquilo que deixo de fazer e que coloco em causa pelo investimento que estou a fazer. Tenho a possibilidade de me manter com consultas quinzenais, mas não me parece que faça muito sentido, parece que aí ainda ia ser um maior desperdício de dinheiro, pois, que evolução da minha estrutura de personalidade é que eu podia esperar? A única razão para me manter quinzenalmente será mesmo a evidência de que estou a voltar a ter crises de ansiedade constantes, a percepcionar projectivamente a realidade e quem me rodeia, a sentir-me sozinha...
Por enquanto, fico por aqui.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
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