Chega uma altura na vida em que olhamos para trás e aquilo que nos pareceu «já ali», foi basicamente há cerca de 10 anos atrás. Há 10 anos, tinha eu uns bons e inocentes 19 anos. Lembro-me como se fosse hoje: roupa preta da cabeça aos pés, unhas pretas, olhos pretos, uma nuvem depressiva em cima de mim e um mundo de escolhas à minha frente. Talvez porque tudo acontece relativamente rápido, somos obrigados a fazer escolhas, a decidir o futuro em cerca de 3 meses, como se fosse acabar o nosso prazo de validade naquele momento. E na realidade até parece que é isso que acontece: ali se encerra a juventude, a liberdade, os sonhos, os amores do secundário e começa o inferno da realidade. Neste momento, já a caminho dos 30 anos, sei que fiz 1/2 dúzia de escolhas erradas, que me fizeram chegar ao dia de hoje. Claro está que houve outras escolhas que fui obrigada a fazer devido a escolhas que outros fizeram e que influenciaram a minha vida. Mas sei também que todas as experiências são positivas, de uma maneira ou de outra, nem que seja para nos fazer crescer enquanto pessoas. Olhando para trás, sinto que podia ter feito tanta coisa diferente, eu podia ter-me feito crescer num sentido diferente. Mas quem pode adivinhar o que nos espera amanhã? "Pudera eu adivinhar o futuro." Mas o que eu tenho vindo a aprender nestes últimos dias é que há uma grande diferença entre gostar de alguém e querer viver e partilhar a vida com esse alguém, nem que seja do outro lado do mundo; há uma grande diferença entre amizade e privacidade e há também uma grande diferença entre preocupação e querer aprisionar. Aprendi também que as pessoas podem mudar de perfeitas para imperfeitas, numa fracção de segundo, e magoar-nos quando menos esperamos e que há palavras e gestos que devemos guardar só para nós. Só a nós nos temos a 100% e só em nós devemos confiar, porque não me quero deixar aprisionar, nem subjugar em troca de um pouco de nada.*j*t*
domingo, 25 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Paris, le 17 Mars 2012: 29 anos
Obrigada a todos os que tiveram uma palavra de amizade e carinho para comigo.
Obrigada àqueles que partilharam o dia comigo, me cantaram os parabéns e me fizeram sentir, uma vez mais, da família.
E obrigada a ti, em particular, por me teres mostrado de que era realmente feito o teu amor: de vazio.
quinta-feira, 15 de março de 2012
-"limite, esta é Novembro"; - "olá limite, como está?"
Na terça-feira fui fazer uma experiência de meditação dinâmica do Osho, um mistico lá dos orientes: a meditação do riso.
Inicialmente tinha companhia, que por algo lampejo de sanidade declinou à ultima da hora, mas como não sou de desistir lá fui.
Espero á porta já com uma revolta no estômago, presságio do que me esperava lá dentro: um grupo de senhoras com mais alguns anitos que eu e que, claramente, poderiam estar a tomar chá e a comer bolinhos enquanto conversavam sobre trivialidades. Senti-me mesmo deslocada, mas naquele ambiente tão intimo era impossível sair.
Entramos para a sala, eu já com as meias calçadas de outra senhora, sento-me num dos tapetes e ouço a descrição da meditação.
Os primeiros 20 minutos, algo como "use a sua gargalhada interior, ria com as mãos e os pés". Ó minha nossa senhora, os unicos momentos em que ri com vontade foram aqueles em que era evidente sermos um bando de loucas, aptas para admissão em hospital psiquiátrico. Ao fim dos primeiros 10 minutos já me apetecia era chorar, porque enquanto eu me esforçava por umas risadinhas quase inaudíveis, a restante claque dava literais gargalhadas.
O alivio chegou com a segunda parte da meditação, deitar de barriga para baixo, espalhando os membros, sentindo como somos parte da terra, dela vimos e para ela voltamos. Não sei se pelo alivio do momento anterior, mas este foi um bom momento, em que os pensamentos não pararam nunca mas se apresentaram de modo mais pacífico e organizado.
Por ultimo, 20 minutos a dançar livremente, ao som de uma musica oriental. A luminosidade quase inexistente permitiu-me libertar de um modo que não me recordava de ser possível, senti-me confortável com o meu corpo e não tão atenta ao exterior como esperava.
No fim, tudo terminou ao som de uma campainha, e o grupo dispersa como se nada fosse, mantendo-se em silêncio como se no rescaldo de um orgasmo falhado em grupo.
Á noite estive bem-disposta, foi sem duvida assunto de conversa; não dormi muito bem, acho que até fiquei meio agitada.
Inicialmente tinha companhia, que por algo lampejo de sanidade declinou à ultima da hora, mas como não sou de desistir lá fui.
Espero á porta já com uma revolta no estômago, presságio do que me esperava lá dentro: um grupo de senhoras com mais alguns anitos que eu e que, claramente, poderiam estar a tomar chá e a comer bolinhos enquanto conversavam sobre trivialidades. Senti-me mesmo deslocada, mas naquele ambiente tão intimo era impossível sair.
Entramos para a sala, eu já com as meias calçadas de outra senhora, sento-me num dos tapetes e ouço a descrição da meditação.
Os primeiros 20 minutos, algo como "use a sua gargalhada interior, ria com as mãos e os pés". Ó minha nossa senhora, os unicos momentos em que ri com vontade foram aqueles em que era evidente sermos um bando de loucas, aptas para admissão em hospital psiquiátrico. Ao fim dos primeiros 10 minutos já me apetecia era chorar, porque enquanto eu me esforçava por umas risadinhas quase inaudíveis, a restante claque dava literais gargalhadas.
O alivio chegou com a segunda parte da meditação, deitar de barriga para baixo, espalhando os membros, sentindo como somos parte da terra, dela vimos e para ela voltamos. Não sei se pelo alivio do momento anterior, mas este foi um bom momento, em que os pensamentos não pararam nunca mas se apresentaram de modo mais pacífico e organizado.
Por ultimo, 20 minutos a dançar livremente, ao som de uma musica oriental. A luminosidade quase inexistente permitiu-me libertar de um modo que não me recordava de ser possível, senti-me confortável com o meu corpo e não tão atenta ao exterior como esperava.
No fim, tudo terminou ao som de uma campainha, e o grupo dispersa como se nada fosse, mantendo-se em silêncio como se no rescaldo de um orgasmo falhado em grupo.
Á noite estive bem-disposta, foi sem duvida assunto de conversa; não dormi muito bem, acho que até fiquei meio agitada.
Senti que encontrei um limite nestas experiências new wave, é muito louco!
quarta-feira, 14 de março de 2012
As nuvens afastam-se e deixam o sol brilhar
As nuvens afastam-se e deixam o sol brilhar, primeiro timidamente pois é devagar que nos abraça com o seu calor.
Também eu sinto as nuvens a dissipar-se e a deixar entrar o calor do meu amor por ti.
Hoje sinto cá dentro que és, sem dúvida, o homem mais bonito do mundo, com os teus olhos que sorriem pelo canto, com as tuas costas fortes e o cabelo desgrenhado, sempre com um charme sedutor.
Hoje sinto a sorte de ter um homem que me tira os pelos do casaco todos os dias, a rabujar enquanto faz questão de ser exímio; que se aproxima do meu corpo e me abraça enquanto dorme; que teve a iniciativa de fazer o jantar do dia dos namorados, e que tem sempre algo para conversar depois de cada refeição; que tanta canta para a nossa gata como lhe dá umas palmadas fortes, que estranhamente a fazer ronronar.
Espero que tenhas um bom dia.
Também eu sinto as nuvens a dissipar-se e a deixar entrar o calor do meu amor por ti.
Hoje sinto cá dentro que és, sem dúvida, o homem mais bonito do mundo, com os teus olhos que sorriem pelo canto, com as tuas costas fortes e o cabelo desgrenhado, sempre com um charme sedutor.
Hoje sinto a sorte de ter um homem que me tira os pelos do casaco todos os dias, a rabujar enquanto faz questão de ser exímio; que se aproxima do meu corpo e me abraça enquanto dorme; que teve a iniciativa de fazer o jantar do dia dos namorados, e que tem sempre algo para conversar depois de cada refeição; que tanta canta para a nossa gata como lhe dá umas palmadas fortes, que estranhamente a fazer ronronar.
Espero que tenhas um bom dia.
domingo, 11 de março de 2012
Paris, le 11 Mars 2012
C'est vrai, j'ecris de Paris. Fez ontem duas semanas que cheguei a este belo país e a esta bela cidade. Há pouco tempo que cá estou mas já deu para apreender tantas coisas diferentes daquelas que tinha no meu país, muito para além da língua ou da diferença de 1h para Portugal. As pessoas são diferentes, os hábitos de vida são diferentes, o sol e o frio são diferentes, a qualidade de vida é diferente. Vim sozinha à descoberta de um mundo novo e na esperança de uma vida melhor. Na verdade, a motivação pode ter sido algo bastante mais superior a isso, mas a fórmula simplificada terá sido esta. Por vezes quando nos afastamos aproximadamente 1750 Kms, a nossa vida do "antigamente" ganha uma forma diferente, os nossos problemas ganham uma importância diferente e até os nossos sentimentos se definem melhor. Esta minha partida de Portugal está a verificar-se uma verdadeira prova de resistência e a cada dia que passa vejo por que é que este povo daqui é mais resistente que o povo português: é uma vida muito mais dura, com obstáculos que não nos são colocados em Portugal: agora vejo como a vida em Portugal é tão simples: posso começar pelo frio que aqui se faz sentir e que obriga as pessoas a serem também elas mais frias e a ganharem resistência ao próprio ambiente, passando pela linha do metro que nos obriga a percorrer várias dezenas de kms a pé para ir de uma ponta à outra da Île-de-France e não esquecendo os impostos e a organização que existe aqui por este lado do mundo: e finalmente encontrei um sitio que leva a sério a reciclagem. Eu própria vou ser obrigada a crescer, a ganhar resistência neste mundo que me obriga, dia-a-dia, a dar um bocadinho mais de mim e a absorver um bocadinho mais dele. Daqui a 6 dias está ai o meu aniversário e pela primeira vez, em 29 anos, vou passar o meu aniversário longe dos meus amigos e da minha família, e só posso pedir que este ano de 2012 seja finalmente o ano da mudança para o caminho da felicidade. Neste momento não estou aos saltos de felicidade, nem a morrer de tristeza, estou, isso sim, num momento de instrospecção, de ansiedade e de expectativa. Não tenho pressa: só queria poder saber se é aqui que pertenço e se era aqui que a minha vida me esperava.*j*t*
terça-feira, 6 de março de 2012
[da distância]
Será que esta minha mudança, que se proporcionou tão certinha, quase divina, já que aposto que houve alguém superior que olhou por mim, foi só para chegar ao dia de hoje e perceber, uma vez mais, que a nossa relação não tem futuro? Mesmo que tenha sido só para isto, já valeu a pena, apesar de eu querer muito mais deste mundo como o conheço agora. E do qual ainda não sei nem metade. E estou a amar, apesar de tudo. A uns bons kms de distância consigo perceber que prefiro estar sozinha sem ti, pelo menos para já. Preciso de tempo e de espaço. Preciso de me encontrar neste maravilhoso mundo novo e só então perceber quem sou eu sem ti e quem sou eu contigo. E como eu já sei como sou contigo e tu nem me tens deixado tentar ser sem ti, preciso de tempo para o perceber. Por favor, imploro-te, dá-me o tempo e o espaço necessários. Deixa-me afastar-me, como tu tantas vezes fizeste. Deixa-me fugir, como tu tantas vezes conseguiste. E só isto já é um sinal, apesar de eu saber o que sinto por ti, acho que tenho que pensar em mim e no meu futuro enquanto pessoa e mulher. Encontrei numa casa 100% estranha aquilo a que se chama família, onde fui acolhida com imenso carinho e onde continuo a ser bem tratada, portanto sei o que é possivel ter. É isto que quero para mim. It's time to say goodbye to turning tables (Adele, Turning Tables).*j*t*
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Que neura!

Que noite péssima... Não consegui descansar nada, muito barulho, mente muito agitada, sonhos desconexos entre a realidade e o sonho. Hoje acordo agitada, confusa, irritada, nada descansada. Detesto estas noites! E agora, mau humor que se adivinha que dure todo o dia.
À noite, aniversário do paizinho.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Sei que precisas que eu não te afaste...
Quero mostrar-te que compreendo, mas este assunto é demasiado sério para que os meus sentimentos não estejam envolvidos. Este assunto não é só teu, na medida em que tem implicações para a nossa relação, e me coloca a mim numa posição de impotência. A nossa relação neste momento parece-me mais importante do que uma garantia hipotética de ter um filho, não me faz sentido abdicar de nós; é um filho nosso que eu quero, não uma cria. Mas é com grande resistência e tristeza que ouço as tuas palavras, na verdade queria gritar contigo e mostrar-te que a tua posição é demasiado racional e demasiado exigente, em certa medida fora deste mundo.
Eu sei que precisas que eu não te afaste, que te ouça, que diga o que tu sentes por palavras minhas que tu reconheças. Sei que a tua vivência com o teu pai deixou marcas profundas, algumas por descobrir; acho que estás agora a aceder a uma delas. A ideia e o terror enraízado, sempre dito e repetido ao longo dos anos, sobre a necessidade de um património, sobre a insegurança do mundo, sobre o custo de um filho, parece agora ganhar contexto e consistência. Como um delírio que por sorte e acaso se torna premonição.
Sei que foi por quereres fazer o melhor, da forma mais pensada, objectiva e abrangente, tendo em conta a tua essência e a essência do mundo, que chegaste até aqui. Que és são, que és bem sucedido.
Ontem pedes-me que te consiga traquilizar, hoje pedes-me que te consigar fazer sentir compreendido. Eu sei que tentei fazer ambas, mas também acho que esta ideia te invadiu com tal força que só o tempo, o pensamento e o diálogo, o podem fazer. Não há "a" palavra certa em assuntos de adultos, duas essências tentanto alcançar a sintonia mantendo-se essência, é muito mais complexo que isso.
Compreende que cada vez que põs esta tua convicção em cima da mesa, eu não sinto esse receio, tenho esperança no futuro porque quem gere este sistema precisa que ele funcione. Sinto apenas que sou levada a escolher entre ti e um sonho, que me parece uma vocação para mim; sinto uma imensa tristeza por não poder almejar a pegar numa pequena pessoa que tenha o nosso sangue misturado (amor em estado puro) fazê-lo crescer e desenvolver, dentro da espécie humana a que pertencemos, que não se mantém e evolui a não ser com a reprodução e a melhoria a cada geração.
(...)
Eu sei que precisas que eu não te afaste, que te ouça, que diga o que tu sentes por palavras minhas que tu reconheças. Sei que a tua vivência com o teu pai deixou marcas profundas, algumas por descobrir; acho que estás agora a aceder a uma delas. A ideia e o terror enraízado, sempre dito e repetido ao longo dos anos, sobre a necessidade de um património, sobre a insegurança do mundo, sobre o custo de um filho, parece agora ganhar contexto e consistência. Como um delírio que por sorte e acaso se torna premonição.
Sei que foi por quereres fazer o melhor, da forma mais pensada, objectiva e abrangente, tendo em conta a tua essência e a essência do mundo, que chegaste até aqui. Que és são, que és bem sucedido.
Ontem pedes-me que te consiga traquilizar, hoje pedes-me que te consigar fazer sentir compreendido. Eu sei que tentei fazer ambas, mas também acho que esta ideia te invadiu com tal força que só o tempo, o pensamento e o diálogo, o podem fazer. Não há "a" palavra certa em assuntos de adultos, duas essências tentanto alcançar a sintonia mantendo-se essência, é muito mais complexo que isso.
Compreende que cada vez que põs esta tua convicção em cima da mesa, eu não sinto esse receio, tenho esperança no futuro porque quem gere este sistema precisa que ele funcione. Sinto apenas que sou levada a escolher entre ti e um sonho, que me parece uma vocação para mim; sinto uma imensa tristeza por não poder almejar a pegar numa pequena pessoa que tenha o nosso sangue misturado (amor em estado puro) fazê-lo crescer e desenvolver, dentro da espécie humana a que pertencemos, que não se mantém e evolui a não ser com a reprodução e a melhoria a cada geração.
(...)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Pézinhos
"Um antropólogo estudava os usos e costumes de uma tribo na África, e porque ele estava sempre rodeado pelas crianças da tribo, decidiu fazer algo divertido entre elas; Conseguiu uma boa porção de doces na cidade e colocou todos os doces dentro de um cesto decorado com fita e outros adereços, e depois deixou o cesto debaixo de uma árvore.Depois chamou as crianças e combinou a brincadeira: quando ...ele dissesse “já”, elas deveriam correr até aquela árvore e o primeiro que agarrasse o cesto, seria o vencedor e teria o direito de comer todos os doces sozinho.As crianças posicionaram-se em linha, esperando pelo sinal combinado.Quando ele disse “já!”, imediatamente todas as crianças deram as suas mãos, uns aos outros, e todos de uma vez, saíram correndo juntos em direção do cesto. Todas elas chegaram juntas e começaram a dividir os doces, e sentadas no chão, comeram os doces felizes.O antropólogo foi ao encontro delas e indignado perguntou porque é que elas tinham ido todas juntas, quando só uma poderia ter tido o cesto inteiro.Foi ai que elas responderam: - “UBUNTU!!!” “Como um só de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?“UBUNTU significa: - “EU SOU, PORQUE NÓS SOMOS!”quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Boa intenção ou compulsão?
Queria escrever aqui no blog quando me sinto mais animada... a minha vida vai para além das dificuldades que aqui vou registando.
Entre a instabilidade do meu humor.
Como integrar o que se vai passando, o que vou ouvindo, os lugares onde entro e os lugares onde não tenho lugar? O que fazer daquela compulsão sádica que se tenta disfarçar com ironia, como explicar o seu impacto, a desadequação, e principalmente a sua incoerência? Um refúgio que por vezes se torna confuso quando o que há para comunicar é incompreendido porque desvalorizado. Como, simultaneamente, pedir verdade e manter a ironia?
Entre a instabilidade do meu humor.
Como integrar o que se vai passando, o que vou ouvindo, os lugares onde entro e os lugares onde não tenho lugar? O que fazer daquela compulsão sádica que se tenta disfarçar com ironia, como explicar o seu impacto, a desadequação, e principalmente a sua incoerência? Um refúgio que por vezes se torna confuso quando o que há para comunicar é incompreendido porque desvalorizado. Como, simultaneamente, pedir verdade e manter a ironia?
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Terapia
Comecei a minha terapia no dia 2 Maio de 2011; hoje, dia 30 de Janeiro de 2012, após 33 sessões, tive de a suspender.
Apesar de ter abdicado de fazer outros gastos supérfluos, sobrava do salário mensal aproximadamente 50€ e via as minhas poupanças diminuir lentamente. Seria possível continuar se, para além de não gastar nada senão despesas fixas, quisesse abdicar de dar prendas de aniversário e natal e ficasse em casa durante as ferias, previsivelmente neste ano de 2012 e no próximo. Ou seja, até terminar o Mestrado.
Outra opção seria desistir do Mestrado, mas na minha cabeça essa não se configura bem como uma opção. Tal como a falta de dinheiro suficiente ainda me parece mentira... Se não estivessemos a passar por esta crise económica absurda e eu não tivesse perdido os subsídios de férias e natal durante dois anos, não teria de fazer esta escolha...
Não me apetece entrar num processo de falso conformismo e falsa aceitação, em que "há pessoas que estão piores que eu", e "há quem não tenha pa comer ou para os medicamentos", ... Simplesmente é criminoso que este governo nos faça pagar uma dívida que foi contraída por maus gestores(governantes) eleitos para gerir o país. Que nos peçam contenção e auteridade, como se não tivessemos apenas uma vida para viver e esta geração fique com a sua história marcada e condicionada por estes roubos.
*Novembro*, a que queria poder dizer "fiz terapia e terminei um mestrado antes dos 30, sinto-me uma mulher inteira e segura", conta agora a história de "numa fase de mudanças estruturais com um impacto brutal na minha vida, tive a oportunidade de fazer terapia até controlar os sintomas mais avassaladores".
Terapeutas/pessoas assim são raras. Ela fez parte deste ensaio da contenção da minha ansiedade, face à nova vida, à nova relação, enquadrando e distinguindo o ciume, a descoberta e o prazer do real, a desconstrução de uma idealização, encontro com quem sou a dois. Consegui um pouco de afirmação face à família, conhecê-los e conhecer-me na relação com eles, e legitimar-me face ao que não quero nem estou disposta a querer. Muito pela rama, muito inicial; com diz a Vera, apenas fazer travar um carro desgovernado; pois estava agora a iniciar a marcha, devagarinho.
Tive a sorte de encontrar uma pessoa que me entendeu, não apenas nos meus dramas mas no meu padrão de funcionamento. Que sabe que antes de um confronto ou de um questionamento doloros, eu preciso de um tom afectivo contentor, amável e compreensivo, e que a partir daí posso olhar com maior liberdade e de modo pessoal para o problema/nuance. Espero que seja uma realidade o meu retorno a este processo, porque ainda tenho muitos objectivos enquanto Mulher e, futuramente, enquanto mãe, e sei que naquele espaço poderia, pelo menos, encontrar a minha direcção pessoal com maior tranquilidade e com uma companhia desimplicada.
Existe também um outro lado, pois neste reinício do carro em marcha lenta, ao afastar um pouco do véu que cobre o interior multi-complexo de qualquer pessoa, surge o receio e a hesitação; surge o cansaço do pensamento, a curiosidade de saber como me vou comportar e sentir agora sem terapia... Algo que sei ser perfeitamente natural e uma etapa lógica deste tipo de processos.
Mas sei que não saía agora se não fosse pelo dinheiro, ou melhor, por aquilo que deixo de fazer e que coloco em causa pelo investimento que estou a fazer. Tenho a possibilidade de me manter com consultas quinzenais, mas não me parece que faça muito sentido, parece que aí ainda ia ser um maior desperdício de dinheiro, pois, que evolução da minha estrutura de personalidade é que eu podia esperar? A única razão para me manter quinzenalmente será mesmo a evidência de que estou a voltar a ter crises de ansiedade constantes, a percepcionar projectivamente a realidade e quem me rodeia, a sentir-me sozinha...
Por enquanto, fico por aqui.
Apesar de ter abdicado de fazer outros gastos supérfluos, sobrava do salário mensal aproximadamente 50€ e via as minhas poupanças diminuir lentamente. Seria possível continuar se, para além de não gastar nada senão despesas fixas, quisesse abdicar de dar prendas de aniversário e natal e ficasse em casa durante as ferias, previsivelmente neste ano de 2012 e no próximo. Ou seja, até terminar o Mestrado.
Outra opção seria desistir do Mestrado, mas na minha cabeça essa não se configura bem como uma opção. Tal como a falta de dinheiro suficiente ainda me parece mentira... Se não estivessemos a passar por esta crise económica absurda e eu não tivesse perdido os subsídios de férias e natal durante dois anos, não teria de fazer esta escolha...
Não me apetece entrar num processo de falso conformismo e falsa aceitação, em que "há pessoas que estão piores que eu", e "há quem não tenha pa comer ou para os medicamentos", ... Simplesmente é criminoso que este governo nos faça pagar uma dívida que foi contraída por maus gestores(governantes) eleitos para gerir o país. Que nos peçam contenção e auteridade, como se não tivessemos apenas uma vida para viver e esta geração fique com a sua história marcada e condicionada por estes roubos.
*Novembro*, a que queria poder dizer "fiz terapia e terminei um mestrado antes dos 30, sinto-me uma mulher inteira e segura", conta agora a história de "numa fase de mudanças estruturais com um impacto brutal na minha vida, tive a oportunidade de fazer terapia até controlar os sintomas mais avassaladores".
Terapeutas/pessoas assim são raras. Ela fez parte deste ensaio da contenção da minha ansiedade, face à nova vida, à nova relação, enquadrando e distinguindo o ciume, a descoberta e o prazer do real, a desconstrução de uma idealização, encontro com quem sou a dois. Consegui um pouco de afirmação face à família, conhecê-los e conhecer-me na relação com eles, e legitimar-me face ao que não quero nem estou disposta a querer. Muito pela rama, muito inicial; com diz a Vera, apenas fazer travar um carro desgovernado; pois estava agora a iniciar a marcha, devagarinho.
Tive a sorte de encontrar uma pessoa que me entendeu, não apenas nos meus dramas mas no meu padrão de funcionamento. Que sabe que antes de um confronto ou de um questionamento doloros, eu preciso de um tom afectivo contentor, amável e compreensivo, e que a partir daí posso olhar com maior liberdade e de modo pessoal para o problema/nuance. Espero que seja uma realidade o meu retorno a este processo, porque ainda tenho muitos objectivos enquanto Mulher e, futuramente, enquanto mãe, e sei que naquele espaço poderia, pelo menos, encontrar a minha direcção pessoal com maior tranquilidade e com uma companhia desimplicada.
Existe também um outro lado, pois neste reinício do carro em marcha lenta, ao afastar um pouco do véu que cobre o interior multi-complexo de qualquer pessoa, surge o receio e a hesitação; surge o cansaço do pensamento, a curiosidade de saber como me vou comportar e sentir agora sem terapia... Algo que sei ser perfeitamente natural e uma etapa lógica deste tipo de processos.
Mas sei que não saía agora se não fosse pelo dinheiro, ou melhor, por aquilo que deixo de fazer e que coloco em causa pelo investimento que estou a fazer. Tenho a possibilidade de me manter com consultas quinzenais, mas não me parece que faça muito sentido, parece que aí ainda ia ser um maior desperdício de dinheiro, pois, que evolução da minha estrutura de personalidade é que eu podia esperar? A única razão para me manter quinzenalmente será mesmo a evidência de que estou a voltar a ter crises de ansiedade constantes, a percepcionar projectivamente a realidade e quem me rodeia, a sentir-me sozinha...
Por enquanto, fico por aqui.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)
