Passo por aqui apenas para fazer referência a um blog que descobri, do nosso professor de Português de 11º ano e minha antiga paixão platónica, que podes encontrar em http://escrever-com-alma.blogspot.com.
É brutal, este homem escreve como ninguém. Passa por lá!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
A depressão Outonal...
Tenho sentido ultimamente uma leve tristeza, acompanhada de uma ligeira ansiedade, sobre qualquer coisa que não consigo escrutinar. É a dificuldade em levantar de manhã para trabalhar e é a vontade de não fazer nada nem ouvir ninguém quando saio do trabalho, já que durante o horário laboral a única atitude que me é permitida, é a não vontade secreta de fazer alguma coisa útil para a empresa!
Acontece que me tenho sentido regressar ao passado, quando a depressão era uma forma de vida! Tudo é simplificado pela ausência de preocupação com a desgraça, quando esta acontece a cada passo; tudo é simplificado pela ausência de preocupação com os efeitos dos nossos actos, porque nada nos pode deixar mais triste do que aquilo que já estamos. O estado de estar deprimido é a melhor forma de vida, quando não nos preocupamos com o facto de estar mal vestidos (quer dizer, preocupamos, mas estamos demasiado tristes para lhe dar importância), com o facto de não tomarmos banho, com o facto de o nosso amor não nos ligar nenhuma, bem como os amigos, porque o estado depressivo em que estamos já conseguiu prever todos esses items à priori!
Mas como a minha depressão é mais básica do que esta que acabei de descrever, tenho-me sentido ligeiramente rebaixada do que aquilo que deveria! Vejo pessoas que parecem sentir-se bem com elas próprias, com aquilo que são, fisica e psicologicamente, com o seu estilo e com o seu corpo! Depois olho para mim, pareço um fantoche, os meus actos parecem acrobacias de circo, os meus passos descoordenados. Embora eu não me considere insegura, às vezes parece que não consigo deixar transparecer o que sou, a pessoa que passou muitos anos a estudar (não vão eles pensar que sou uma tótó), que passou uns bons anos a pensar sobre a vida, a analisar os outros e a mim mesma! Tenho que me debruçar sobre isto! Aproveitar que o Outono está a demorar a arrancar e deixar a depressão Outonal ajudar-me!
Só há duas pessoas no Mundo que me fazem sentir a melhor pessoa do Mundo, onde tudo é possível: onde é possível ser mais bonita, mais inteligente, cheirar melhor e fazer e/ou ter tudo aquilo que gosto. Obrigada. *j*t*
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
"Ser fixe" ou "Olha o Secundário todo outra vez!"
Neste último ano, o local onde trabalho passou por algumas transformações, não só em termos de funções, mas principalmente no que diz respeito às relações entre as pessoas.
Se desde o início estive afastada da "parte social", centrada nas minhas tarefas e na vontade de fazer melhor, comecei há uns meses a mostrar o que sou a algumas e selecionadas pessoas, e, com ingenuidade, acabei por incluir a maioria.
Assumo que me atrai a proximidade, sentir o cheiro à caixa de pandora de cada um, tentar quebrar a idealização e a fantasia de que, comparativamente, estarei a perder. Descobri pessoas especiais com qualidades e capacidades incríveis, descobri também o poder de sedução de alguns, descobri como são manhosas as mulheres,... Descobri também, para minha surpresa, que até ao final da vida encontrarei pessoas presas ao que é "ser fixe".
O móbil imediato desde post foi, sem dúvida, uns comentários de uma pessoa específica e que me agrada particularmente, de que me iria ensinar a travar. Por travar, entenda-se, vou-te ensinar como se fuma. Perplexa, só consegui perguntar à pessoa se ela acha que nasci com 25 anos, e se não tem a noção de que também tive adolescência.
Ok, assumo, dei um bafo num cigarro há mais de uma semana apenas pela curiosidade de experimentar uma determinada marca, e a ultima ganza que fumei foi em 2007 :)
Mas seja como for, esta imagem das pessoas que me conhecem medianamente fazem de mim, de que não parto um prato, ou de que tenho medo de isto ou daquilo, relembra-me tempos idos.
Voltei a experimentar um sentimento que não vivia desde o Secundário, o de estar no limbo entre quem é "fixe" e quem não o é. Em cima da mesa está então, a questão: preparar uma criança ou jovem para uma aceitação social satisfatória implica ensiná-lo a travar, e a usar asneiras como vírgulas?
Não posso, no entanto ser totalmente injusta: como pedir às pessoas que me vejam, se faço um esforço deliberado para filtrar o digo e faço?
Por Novembro
Se desde o início estive afastada da "parte social", centrada nas minhas tarefas e na vontade de fazer melhor, comecei há uns meses a mostrar o que sou a algumas e selecionadas pessoas, e, com ingenuidade, acabei por incluir a maioria.
Assumo que me atrai a proximidade, sentir o cheiro à caixa de pandora de cada um, tentar quebrar a idealização e a fantasia de que, comparativamente, estarei a perder. Descobri pessoas especiais com qualidades e capacidades incríveis, descobri também o poder de sedução de alguns, descobri como são manhosas as mulheres,... Descobri também, para minha surpresa, que até ao final da vida encontrarei pessoas presas ao que é "ser fixe".
O móbil imediato desde post foi, sem dúvida, uns comentários de uma pessoa específica e que me agrada particularmente, de que me iria ensinar a travar. Por travar, entenda-se, vou-te ensinar como se fuma. Perplexa, só consegui perguntar à pessoa se ela acha que nasci com 25 anos, e se não tem a noção de que também tive adolescência.
Ok, assumo, dei um bafo num cigarro há mais de uma semana apenas pela curiosidade de experimentar uma determinada marca, e a ultima ganza que fumei foi em 2007 :)
Mas seja como for, esta imagem das pessoas que me conhecem medianamente fazem de mim, de que não parto um prato, ou de que tenho medo de isto ou daquilo, relembra-me tempos idos.
Voltei a experimentar um sentimento que não vivia desde o Secundário, o de estar no limbo entre quem é "fixe" e quem não o é. Em cima da mesa está então, a questão: preparar uma criança ou jovem para uma aceitação social satisfatória implica ensiná-lo a travar, e a usar asneiras como vírgulas?
Não posso, no entanto ser totalmente injusta: como pedir às pessoas que me vejam, se faço um esforço deliberado para filtrar o digo e faço?
Por Novembro
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
A primeira dúvida
Talvez por ter chegado ao fim das minhas férias do trabalho, ou por estar sentir o Inverno tão próximo, ou porque a realidade se apresenta mais clara, começo a sentir o peso deste "nós".
Sinto-me presa às cedências que tenho feito. Vejo agora que tenho aceite "só por mais este dia", ou ir para casa mais cedo, mas esses dias têm-se vindo a suceder frequentemente, e se pensar com rigor há coisas que não faço há vários anos.
Queria poder aproveitar o que me parece ser o ultimo fim-de-semana de verão, ou ir ao jantar para o qual fui convidada hoje, mas ele tem outros compromissos...
Acabo por ser sempre eu a ceder, como se ele tivesse um livre-transito da utilização do nosso tempo.
Eu sei que não tem de parecer "que somos siameses" (frase que aliás me magoou pelo contexto em que foi dita), não é de todo essa a ideia. Mas ceder não deveria ser apenas deixar-me sozinha se eu não quiser acompanhá-lo, seria poder decidir para onde vai o "nós", sendo que o voto de cada um deveria valer o mesmo. E o pior é que não me parece que a minha recusa em ir fosse assim tão bem aceite.
Será que vai ser assim sempre? Será que vai piorar? E quando tiver filhos?
Sinto-me presa às cedências que tenho feito. Vejo agora que tenho aceite "só por mais este dia", ou ir para casa mais cedo, mas esses dias têm-se vindo a suceder frequentemente, e se pensar com rigor há coisas que não faço há vários anos.
Queria poder aproveitar o que me parece ser o ultimo fim-de-semana de verão, ou ir ao jantar para o qual fui convidada hoje, mas ele tem outros compromissos...
Acabo por ser sempre eu a ceder, como se ele tivesse um livre-transito da utilização do nosso tempo.
Eu sei que não tem de parecer "que somos siameses" (frase que aliás me magoou pelo contexto em que foi dita), não é de todo essa a ideia. Mas ceder não deveria ser apenas deixar-me sozinha se eu não quiser acompanhá-lo, seria poder decidir para onde vai o "nós", sendo que o voto de cada um deveria valer o mesmo. E o pior é que não me parece que a minha recusa em ir fosse assim tão bem aceite.
Será que vai ser assim sempre? Será que vai piorar? E quando tiver filhos?
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