Nos últimos dias tenho pensado sobre a morte. Acho que estou a ganhar a conciência de que sou mortal, de que é uma realidade que um dia vou deixar de existir. è muito estranho para mim conceber isto. Como pode ser algo tão bizarro?
"Penso, logo existo"? Não: penso, logo sou mortal.
Fui ao meu primeiro velório/funeral no mês de Novembro, e com esta idade penso que é uma sorte. Mas ao mesmo tempo, viver agora esta experiência, também ela bizarra, faz com que esteja a processar a situação de uma forma menos conformada, mais crítica.
Acredito em Deus, acredito que de algum modo somos demasiado complexos para evaporar simplesmente. E penso naquela que se foi. A biologia e o seu reinado levaram a melhor. Penso com receio, por identificar uma situação pela qual vou passar: deitada num caixão, sem conciência de mim, pessoas que quase não conheço a atirarem terra fria para não me verem nnunca mais, e finalmente poderem seguir com as suas vidas.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Abraça-me!
Aproxima-se outra época do ano que me deixa deprimida e percebo agora que talvez todos os sintomas do "spm" não se devessem a esta dádiva da Natureza, como também à época natalícia que entra que nem uma "alavanche" pelas nossas casas, olhos, ouvidos, carteiras e tudo aquilo que tenha buraco, porque, se virem e ouvirem bem, ela está em todo o lado! Nas lojas, na rua, nas revistas, na rádio, na televisão, nas janelas das casas dos outros e talvez no meu quarto, onde já guardo religiosa e orgulhosamente a primeira prenda que comprei! Atenção, para os mais distraídos eu disse "outra época do ano", porque há a "outra", que é o mês dos meus anos, cuja depressão se inicia dia 1 e termina dia 17, vá, pronto!, se calhar ainda se estica até dia 18 ou 19... Depressão porquê? Talvez porque é uma época de pensarmos em nós, nos outros, aqueles de quem gostamos e a quem "temos que" oferecer qualquer coisa, simbólica ou não, e que, parecendo que não, fazemos umas quantas contas de somar e subtraír (mas principalmente dividir) para chegar finalmente à prenda para cada pessoa! E perguntam vocês, somar e subtraír o quê? Somamos as palavras bonitas, os gestos que nos emocionam quando estamos a sós, os carinhos, a atenção, o cuidado e a compreensão, subtraímos pelas desnecessárias e provocadoras chamadas de atenção, pelas palavras ráspidas, pela brutalidade do olhar, pela sensação de solidão que nos passam os gestos, frios e incalculados. Por fim, dividimos um pouco pela família mais próxima e damo-nos conta de que temos saldo negativo muito antes de chegar sequer à divisão! O próximo passo é começar novamente e ver onde falhámos! Se, não fazendo batota, continuar a dar negativo, o mais correcto é c*g*r nas contas e dedicar-me às letras, que foi no que sempre fui melhor!
Tenho-me sentido insegura! Por tantas coisas que passam por mim, pá!, uma pessoa não é de ferro! Julgo que às vezes só seria necessário abraço que me dissesse: "Obrigado por seres como és!", só para substituir o constante olhar que diz: "Desaparece-me da frente e vai ver-te ao espelho para veres a merda que és!"... (é que isto eu já faço, percebem?)...
Bom início de quadra natalícia para vocês e boas contas!*j*t*
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