"According to greek mythology, humans were originally created with 4 arms, 4 legs & a head with 2 faces. Fearing their power, Zeus split them into two separate parts, condemning them to spend their lives in search of their other halves.", Plato's The Symposium.*j*t*
sábado, 16 de julho de 2011
soul mates
"According to greek mythology, humans were originally created with 4 arms, 4 legs & a head with 2 faces. Fearing their power, Zeus split them into two separate parts, condemning them to spend their lives in search of their other halves.", Plato's The Symposium.*j*t*
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Cry your sadness away
Chorei. Chorei muito. Chorei mesmo muito. E se queres saber, continuo a chorar. Muito. Sempre assim foi, desde que me lembro de ter iniciado a fabulosa fase da adolescência. Chorava sozinha, perdida no meu quarto, pelas injustiças que julgava serem eternas, pelas palavras duras que temi durarem para sempre, pela tristeza imensa que senti que duraria a vida toda, mas chorei também pela simples vontade de chorar. Pela vontade de me libertar de um aperto que sentia (e sinto) constantemente dentro de mim. Chorava e escrevia. Sempre transpus para o papel aquilo que me ia na alma. Talvez algum dia aqui partilhe alguns dos textos que escrevi. Talvez por isso me tenha libertado de alguma tristeza, que parece que cresce dentro de mim, e ela não tenha conseguido criar caroços, como os que se criam dentro dos peitos das mães que não dão aos seus bebés todo o leite que existe dentro delas. E apodrece e azeda. Ainda agora, minha querida Novembro, choro ao reler o teu texto, porque me reconheço nele, não só porque és minha amiga, mas também porque sinto a tua tristeza e vivo os teus medos. Olho-me no espelho e sabes o que vejo em mim? Vejo uma rapariga de 28 anos (não uma mulher, uma rapariga), sem planos para o futuro, visto que nem sei o que fazer com o presente. Sempre me achei pouco ou nada interessante, nunca pertenci ao grupo dos "fixes" e não seria agora que lá iria buscar apoio: aliás, vejo-me cada vez menos interessante, menos inteligente e sem nada para dizer. Tal como tu, sempre achei que cheirava mal e ainda agora acho. Vivo obcecada com o meu cheiro e tento não me aproximar muito das pessoas, não vão também elas confirmar as minhas suspeitas. Acho que sou feia e jamais atingirei o corpo perfeito. Os meus passos e movimentos simples assemelham-se a acrobacias circenses, de tão atabalhoados que são. Ao contrário de ti, estou sozinha. Estou sozinha num suposto amor a dois. E choro. Sinto-me triste por não ter conseguido dar àquela menina linda que vejo na fotos datadas de 1983, 84, 85, ..., uma vida melhor que esta. Cada vez que olhava para aquelas fotos, sentia que aquela menina, tão bonita na altura, merecia ser feliz. E acho que ao não consegui-lo, desiludo mais uma vez os meus pais, destruindo mais um pouco desta família em desconstrução. A ti, Novembro, só te posso dizer que acho que és uma mulher cheia de força, que foi capaz de quebrar com a vida aparentemente perfeita que tinhas e "lutar por um amor mais puro". Admiro-te por isso. Acho-te bonita, por dentro e por fora, e tens sempre algo para me dizer. És inteligente e mereces que alguém o reconheça e te faça feliz. Mas chora, chora muito, chora de tristeza e de felicidade, porque só quem conhece a verdadeira tristeza, o verdadeiro fundo das coisas, merece e sabe o que é ser feliz. *j*t*
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Cry my sadness away
Contava-te noutro dia que, em resposta à minha indignação por andar uma verdadeira madalena arrependida, a minha psi me disse que talvez o que eu precise agora é de chorar a tristeza toda de uma vez. Aí, perguntaste-me o que me deixa triste eu aceitei o teu desafio de o colocar num post.
Sei que as minhas palavras serão uma aproximação. E sei que este sentimento não é dominante mas sim uma parte sombria de um caminho maior.
Abro os olhos com 27 anos, e tenho um Amor, uma família, amigos, uma licenciatura, um emprego, saúde, ... Mas às vezes sinto-me triste. A razão dessa tristeza parece perdida dentro de mim, dentro dos anos em que fui uma boa menina, uma boa aluna, uma boa namorada e uma boa filha. Acontece que ser "boa" e "abnegada" representa um dos lados da moeda; do lado da coroa, há o evitamento do conflito, a carência afectiva, a revolta, a dificuldade em reconhecer as minhas próprias vontades. Quando não choramos no tempo devido e na devida medida, o choro não se dissipa por completo: aguarda e mói. E aí, ou o choro azeda e te azeda com ele, ou jorra para fora.
A ilusão infantil da plenitude após a tempestade... Não basta ter boa matéria prima e uma boa planta arquitectonica, há que reconstruir com fé e coragem tijolo a tijolo, decidindo se devemos manter a fachada, se fazemos quartos para todos... O momento de crise e de expansão não pode ser confundido com a iluminação permanente e perpétua.
A desilusão de uma família que não se orgulha e não compreende...
A minha mãe será semrpe crítica, infantil, dominadora, indirecta, incapaz de me dar segurança para falar de mim. Estive cega, nunca vi que ela tem uma grande parte da culpa por eu não ter relação com o meu pai.
O meu pai, que é um boneco, ora "autista" ora monstruoso, mas nunca uma pessoa com a qual conseguirei relacionar-me, com todas as consequências que daí advêm.
A minha tia, apesar de por vezes ouvir e perceber, está bem com as coisas como elas estão, que não quer de facto ser aborrecida e que a sua primeira fidelidade é para com aquele núcleo.
A minha irmã não será assim tão malvada, tentou definir-se sem se afastar da família, que tenta à sua forma também ela crítica e dominadora, que eu não me afaste.
E eu, que não vou salvar a pequena V**** através do meu irmão e da minha sobrinha.
E eu? Sempre detestei o meu nome (?!), sempre suspeitei que era aborrecida, feia, mal feita, peluda, nariguda, malcheirosa, sem confiança no meu corpo, pouco interessante, pouco mulher, pouco sexual. Estar em terapia é ver-me: na minha família nada mudará e só posso controlar a minha própria mudança. Ver que, afinal, tenho alguns dos "defeitos" que suspeitava ter, e alguns outros que reconheço nas críticas que faço à minha família, como o evitamento de conflito e a reacçao mediata. Assumir que me sinto culpada, por ter quebrado o pacto de meninice e pela dor que causei, desonesta, por não ter declarado logo que também se tratava de um Amor, cobarde, por não ter rompido quando soube que não amava e não admirava. Assim, é assumir a minha responsabilidade pela minha vida, e, assumir o controlo e a segurança interior.
Fico triste e perdida pois receio não conseguir fazer as pazes comigo a tempo de evitar contaminar este Amor, com tanto por viver e descobrir. Este Amor que, para mim, representa um futuro pleno, inteiro, partilhado e conquistado.
Por Novembro.
Sei que as minhas palavras serão uma aproximação. E sei que este sentimento não é dominante mas sim uma parte sombria de um caminho maior.
Abro os olhos com 27 anos, e tenho um Amor, uma família, amigos, uma licenciatura, um emprego, saúde, ... Mas às vezes sinto-me triste. A razão dessa tristeza parece perdida dentro de mim, dentro dos anos em que fui uma boa menina, uma boa aluna, uma boa namorada e uma boa filha. Acontece que ser "boa" e "abnegada" representa um dos lados da moeda; do lado da coroa, há o evitamento do conflito, a carência afectiva, a revolta, a dificuldade em reconhecer as minhas próprias vontades. Quando não choramos no tempo devido e na devida medida, o choro não se dissipa por completo: aguarda e mói. E aí, ou o choro azeda e te azeda com ele, ou jorra para fora.
A ilusão infantil da plenitude após a tempestade... Não basta ter boa matéria prima e uma boa planta arquitectonica, há que reconstruir com fé e coragem tijolo a tijolo, decidindo se devemos manter a fachada, se fazemos quartos para todos... O momento de crise e de expansão não pode ser confundido com a iluminação permanente e perpétua.
A desilusão de uma família que não se orgulha e não compreende...
A minha mãe será semrpe crítica, infantil, dominadora, indirecta, incapaz de me dar segurança para falar de mim. Estive cega, nunca vi que ela tem uma grande parte da culpa por eu não ter relação com o meu pai.
O meu pai, que é um boneco, ora "autista" ora monstruoso, mas nunca uma pessoa com a qual conseguirei relacionar-me, com todas as consequências que daí advêm.
A minha tia, apesar de por vezes ouvir e perceber, está bem com as coisas como elas estão, que não quer de facto ser aborrecida e que a sua primeira fidelidade é para com aquele núcleo.
A minha irmã não será assim tão malvada, tentou definir-se sem se afastar da família, que tenta à sua forma também ela crítica e dominadora, que eu não me afaste.
E eu, que não vou salvar a pequena V**** através do meu irmão e da minha sobrinha.
E eu? Sempre detestei o meu nome (?!), sempre suspeitei que era aborrecida, feia, mal feita, peluda, nariguda, malcheirosa, sem confiança no meu corpo, pouco interessante, pouco mulher, pouco sexual. Estar em terapia é ver-me: na minha família nada mudará e só posso controlar a minha própria mudança. Ver que, afinal, tenho alguns dos "defeitos" que suspeitava ter, e alguns outros que reconheço nas críticas que faço à minha família, como o evitamento de conflito e a reacçao mediata. Assumir que me sinto culpada, por ter quebrado o pacto de meninice e pela dor que causei, desonesta, por não ter declarado logo que também se tratava de um Amor, cobarde, por não ter rompido quando soube que não amava e não admirava. Assim, é assumir a minha responsabilidade pela minha vida, e, assumir o controlo e a segurança interior.
Fico triste e perdida pois receio não conseguir fazer as pazes comigo a tempo de evitar contaminar este Amor, com tanto por viver e descobrir. Este Amor que, para mim, representa um futuro pleno, inteiro, partilhado e conquistado.
Por Novembro.
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