Contava-te noutro dia que, em resposta à minha indignação por andar uma verdadeira madalena arrependida, a minha psi me disse que talvez o que eu precise agora é de chorar a tristeza toda de uma vez. Aí, perguntaste-me o que me deixa triste eu aceitei o teu desafio de o colocar num post.
Sei que as minhas palavras serão uma aproximação. E sei que este sentimento não é dominante mas sim uma parte sombria de um caminho maior.
Abro os olhos com 27 anos, e tenho um Amor, uma família, amigos, uma licenciatura, um emprego, saúde, ... Mas às vezes sinto-me triste. A razão dessa tristeza parece perdida dentro de mim, dentro dos anos em que fui uma boa menina, uma boa aluna, uma boa namorada e uma boa filha. Acontece que ser "boa" e "abnegada" representa um dos lados da moeda; do lado da coroa, há o evitamento do conflito, a carência afectiva, a revolta, a dificuldade em reconhecer as minhas próprias vontades. Quando não choramos no tempo devido e na devida medida, o choro não se dissipa por completo: aguarda e mói. E aí, ou o choro azeda e te azeda com ele, ou jorra para fora.
A ilusão infantil da plenitude após a tempestade... Não basta ter boa matéria prima e uma boa planta arquitectonica, há que reconstruir com fé e coragem tijolo a tijolo, decidindo se devemos manter a fachada, se fazemos quartos para todos... O momento de crise e de expansão não pode ser confundido com a iluminação permanente e perpétua.
A desilusão de uma família que não se orgulha e não compreende...
A minha mãe será semrpe crítica, infantil, dominadora, indirecta, incapaz de me dar segurança para falar de mim. Estive cega, nunca vi que ela tem uma grande parte da culpa por eu não ter relação com o meu pai.
O meu pai, que é um boneco, ora "autista" ora monstruoso, mas nunca uma pessoa com a qual conseguirei relacionar-me, com todas as consequências que daí advêm.
A minha tia, apesar de por vezes ouvir e perceber, está bem com as coisas como elas estão, que não quer de facto ser aborrecida e que a sua primeira fidelidade é para com aquele núcleo.
A minha irmã não será assim tão malvada, tentou definir-se sem se afastar da família, que tenta à sua forma também ela crítica e dominadora, que eu não me afaste.
E eu, que não vou salvar a pequena V**** através do meu irmão e da minha sobrinha.
E eu? Sempre detestei o meu nome (?!), sempre suspeitei que era aborrecida, feia, mal feita, peluda, nariguda, malcheirosa, sem confiança no meu corpo, pouco interessante, pouco mulher, pouco sexual. Estar em terapia é ver-me: na minha família nada mudará e só posso controlar a minha própria mudança. Ver que, afinal, tenho alguns dos "defeitos" que suspeitava ter, e alguns outros que reconheço nas críticas que faço à minha família, como o evitamento de conflito e a reacçao mediata. Assumir que me sinto culpada, por ter quebrado o pacto de meninice e pela dor que causei, desonesta, por não ter declarado logo que também se tratava de um Amor, cobarde, por não ter rompido quando soube que não amava e não admirava. Assim, é assumir a minha responsabilidade pela minha vida, e, assumir o controlo e a segurança interior.
Fico triste e perdida pois receio não conseguir fazer as pazes comigo a tempo de evitar contaminar este Amor, com tanto por viver e descobrir. Este Amor que, para mim, representa um futuro pleno, inteiro, partilhado e conquistado.
Por Novembro.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
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