Chorei. Chorei muito. Chorei mesmo muito. E se queres saber, continuo a chorar. Muito. Sempre assim foi, desde que me lembro de ter iniciado a fabulosa fase da adolescência. Chorava sozinha, perdida no meu quarto, pelas injustiças que julgava serem eternas, pelas palavras duras que temi durarem para sempre, pela tristeza imensa que senti que duraria a vida toda, mas chorei também pela simples vontade de chorar. Pela vontade de me libertar de um aperto que sentia (e sinto) constantemente dentro de mim. Chorava e escrevia. Sempre transpus para o papel aquilo que me ia na alma. Talvez algum dia aqui partilhe alguns dos textos que escrevi. Talvez por isso me tenha libertado de alguma tristeza, que parece que cresce dentro de mim, e ela não tenha conseguido criar caroços, como os que se criam dentro dos peitos das mães que não dão aos seus bebés todo o leite que existe dentro delas. E apodrece e azeda. Ainda agora, minha querida Novembro, choro ao reler o teu texto, porque me reconheço nele, não só porque és minha amiga, mas também porque sinto a tua tristeza e vivo os teus medos. Olho-me no espelho e sabes o que vejo em mim? Vejo uma rapariga de 28 anos (não uma mulher, uma rapariga), sem planos para o futuro, visto que nem sei o que fazer com o presente. Sempre me achei pouco ou nada interessante, nunca pertenci ao grupo dos "fixes" e não seria agora que lá iria buscar apoio: aliás, vejo-me cada vez menos interessante, menos inteligente e sem nada para dizer. Tal como tu, sempre achei que cheirava mal e ainda agora acho. Vivo obcecada com o meu cheiro e tento não me aproximar muito das pessoas, não vão também elas confirmar as minhas suspeitas. Acho que sou feia e jamais atingirei o corpo perfeito. Os meus passos e movimentos simples assemelham-se a acrobacias circenses, de tão atabalhoados que são. Ao contrário de ti, estou sozinha. Estou sozinha num suposto amor a dois. E choro. Sinto-me triste por não ter conseguido dar àquela menina linda que vejo na fotos datadas de 1983, 84, 85, ..., uma vida melhor que esta. Cada vez que olhava para aquelas fotos, sentia que aquela menina, tão bonita na altura, merecia ser feliz. E acho que ao não consegui-lo, desiludo mais uma vez os meus pais, destruindo mais um pouco desta família em desconstrução. A ti, Novembro, só te posso dizer que acho que és uma mulher cheia de força, que foi capaz de quebrar com a vida aparentemente perfeita que tinhas e "lutar por um amor mais puro". Admiro-te por isso. Acho-te bonita, por dentro e por fora, e tens sempre algo para me dizer. És inteligente e mereces que alguém o reconheça e te faça feliz. Mas chora, chora muito, chora de tristeza e de felicidade, porque só quem conhece a verdadeira tristeza, o verdadeiro fundo das coisas, merece e sabe o que é ser feliz. *j*t*
quarta-feira, 6 de julho de 2011
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