quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A vida cansa... II (Os heterónimos, os outros e eu)

Tenho tido picos de felicidade nestes meus dias de vida e não sabem como tudo isto me preenche. Àparte todos os problemas claro, que têm marcado os meus últimos dias. Depois de tudo, acaba por fim ficar o tal medo da vida que já aqui vos falei. Medo que surge na nossa cabeça? Não sei... Mas que ele aqui anda, anda!
Não sei se isto já vos aconteceu, mas por vezes sinto que não sou eu que circulo por aí, pelos caminhos, pela rua, como queiram. Sinto que não sou eu que me sento dentro do carro e conduzo, não sou eu que entro dentro da banheira e tomo banho, não sou eu que me levanto de manhã, calço os chinelos e me dirijo para fora do quarto... Enfim, simplesmente sinto que não sou eu... É como se tudo me passasse ao lado, a vida e os outros. Sinto que não agarro as coisas, que não as sinto nem vejo, eu plano sobre elas! É como pisar a neve e não deixar marcas, como canta o outro! Quando penso claramente sobre isto, creio ser por causa da falta de tempo, ou melhor, por tudo correr tão depressa! É a correria da manhã à noite, altura em que me preparo para a manhã novamente!
Hoje sinto-me particularmente triste, ao contrário do que sentia de manhã! Sem razões aparentes, acreditem! Tirando as saudades que sinto do meu cão, que me fazem ouvi-lo e sentir a sua presença, já que ainda não me habituei à ideia de que ele não existe mais! Tirando também os outros, os mesmos de sempre, que me fazem sentir mal pelas minhas decisões, actos, pensamentos, résteas de personalidade que vão exalando dos meus poros... Quando tudo corre pelo melhor, pelo melhor na sua maneira de ver, somos os melhores seres do mundo! É pena que depois se venha a verificar que tudo isto é tão efémero, tão frágil de conteúdo e tão rápido na mudança! Mas pronto, tudo continua, a vida continua!
Vou então concentrar-me em mim e naquilo que os possíveis heterónimos têm para me dizer! Quem sabe se não são mais inteligentes que eu e me ensinam qualquer coisa? Nunca se sabe!*j*t*

sábado, 13 de outubro de 2007

26 de Julho de 1997 - 12 de Outubro de 2007

Seria curioso se tivéssemos que escolher uma declaração para colocar nas lápides para um qualquer animal de estimação... E se calhar até temos, pois descobri neste dia 12 de Outubro que há um cemitério para animais no Jardim Zoológico de Lisboa. Assim sendo, e como não tive essa possibilidade, decidi escrever e publicar online uma possível declaração para o meu cão L., que tão bem vocês conheceram.
Só quem tem, ou teve, animais de estimação, e perdoem-me aqueles que se sentem ofendidos, percebe a dor que se sente quando se perde "um dos seus". Por incrível que pareça, é uma dor semelhante à da perda de uma pessoa querida. É um lugar que fica por preencher, que nada nem ninguém consegue completar; é um olhar que falta; é um carinho que não existe; é uma palavra que não se diz; e é uma alegria que não se sente que tão bem ele sabia demonstrar. Mas como o sofrimento não tem qualquer justificação, principalmente o sofrimento físico, estive com ele até ao fim, assim como desde o início. *j*t*

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

A vida cansa...

Ajudem-me, fadinhas, companheiras de café, a apurar a verdade das coisas... Por vezes sinto uma necessidade imensa de alguém que me ajude a pensar, que me guie o caminho, que tome decisões por mim... pode parecer ridículo, mas é verdade, juro que o sinto! Também eu por vezes me sinto adolescente, "infantil até", noutras. A última semana, por exemplo, tem-me ajudado a sentir mal neste campo. Tenho-me sentido imatura, mal preparada para o mundo, inexperiente nalgumas coisas, mas, acima de tudo, mal conhecedora da vida em concreto, daquilo que a faz rolar continuamente, dia após dia. É um trabalho diário que tenho sentido, com uma carga psicológica, para mim, muito pesada. Nada que não se ultrapasse, é claro! Aliás, estar agora a falar sobre isso, já ajuda bastante!
A vida cansa... sim, cansa-me e muito! Confesso que ás vezes não tenho paciência para a vida... não porque me sinta triste ou apática, não. Simplesmente porque me sinto cansada dos pormenores que fazem daquela uma aventura diária, das regras que não devemos/podemos esquecer, a etiqueta, a ética, o bem, o mal, o respeito, o Outro, os direitos, os deveres, ... Como alguém me disse há pouco tempo, "se em cada dia passassem 10", ou seja, se por cada dia que passasse, expirassem 10. Não que eu não sinta a prazer do dia-a-dia, nem que tenha pressa de viver, mas por vezes dava jeito que as coisas corressem mais depressa (sim, ainda mais depressa). Acho que é só mesmo pela minha falta de paciência...
Nunca tive coragem de o dizer, mas penso muitas vezes que gostaria de já ter vivido tudo, de estar no fim da vida e ver como tudo aconteceu, como decorreu a minha vida, que erros cometi, que "sortes" tive, que amor, que amigos, que inimigos, que surpresas e que desilusões. Este é só mais um pensamento como tantos outros que tenho quando sinto medo da vida. Sim, é isto, tenho falta de paciência para as "miudezas" e medo daquilo que elas me podem fazer! Ás vezes são os pequenos erros que nos atrasam o caminho e nos provocam o sofrimento. Que fazer com o desprezo dos outros, quando o que queremos é atenção? Que fazer com o medo dos outros, da nossa doença, quando o que precisamos é de cuidado? Que fazer com o silêncio, quando o que queremos é dar uso a um dos nossos preciosos cinco sentidos, a audição (especialmente se for para ouvir coisas bonitas)? Lá temos nós que abrir a nossa maleta de primeiros socorros sentimentais, (que existe em cada um de nós, claro está!) e sacar de lá de dentro um pouco de betadine da compreensão, colocar uma comprensa de paciência e colocar por fim um daqueles pensos impermeáveis, para não deixar entrar nem um bocadinho de rancor, ou estragaríamos qualquer tentativa de cicatrização!
Eu acredito que tudo isto não passa de um desejo incontrolável de ser feliz e, como a Novembro tão bem disse, "fazer-me feliz".
Não deixem, por favor, passar muito tempo até ao próximo café. Quando passarem à porta, não hesitem, entrem!
Meninas, um beijinho!*j*t*

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Primeiro dia do resto da minha vida (vida activa, claro!)

Caríssimas companheiras de tasca,

hoje encontro-me neste espaço de partilha com mais uma migalha do pão. Hoje não vou escrever apenas sobre sentimentos, mas também sobre acontecimentos que agitam o mar da minha banheira :)

Recebi hoje quatro crianças, no sítio que vocês já sabem. As emoções que sinto são muitas, e diversas. Sinto orgulho por ter escolhido este caminho, felicidade por ver sorrisos que pessoas de outras profissões nem sonham existir ... Mas ao mesmo tempo sinto alguma impotência, medo, nervosismo.

"É tudo normal". Mas eu quero fazer o melhor, não sei se sou capaz. Sei que vou tentar. E o pior é que tenho a certeza que ainda vou cometer erros crassos.

Na minha vida pessoal, as coisas também seguem o seu próprio caminho. Quero muito reconhecer as coisas boas, ser mais optimista, fazer-me feliz. É difícil ser adulta, agir como adulta e pensar como adulta: sinto-me ainda adolescente, as vezes mesmo infantil.

Até ao próximo café*