Ajudem-me, fadinhas, companheiras de café, a apurar a verdade das coisas... Por vezes sinto uma necessidade imensa de alguém que me ajude a pensar, que me guie o caminho, que tome decisões por mim... pode parecer ridículo, mas é verdade, juro que o sinto! Também eu por vezes me sinto adolescente, "infantil até", noutras. A última semana, por exemplo, tem-me ajudado a sentir mal neste campo. Tenho-me sentido imatura, mal preparada para o mundo, inexperiente nalgumas coisas, mas, acima de tudo, mal conhecedora da vida em concreto, daquilo que a faz rolar continuamente, dia após dia. É um trabalho diário que tenho sentido, com uma carga psicológica, para mim, muito pesada. Nada que não se ultrapasse, é claro! Aliás, estar agora a falar sobre isso, já ajuda bastante!
A vida cansa... sim, cansa-me e muito! Confesso que ás vezes não tenho paciência para a vida... não porque me sinta triste ou apática, não. Simplesmente porque me sinto cansada dos pormenores que fazem daquela uma aventura diária, das regras que não devemos/podemos esquecer, a etiqueta, a ética, o bem, o mal, o respeito, o Outro, os direitos, os deveres, ... Como alguém me disse há pouco tempo, "se em cada dia passassem 10", ou seja, se por cada dia que passasse, expirassem 10. Não que eu não sinta a prazer do dia-a-dia, nem que tenha pressa de viver, mas por vezes dava jeito que as coisas corressem mais depressa (sim, ainda mais depressa). Acho que é só mesmo pela minha falta de paciência...
Nunca tive coragem de o dizer, mas penso muitas vezes que gostaria de já ter vivido tudo, de estar no fim da vida e ver como tudo aconteceu, como decorreu a minha vida, que erros cometi, que "sortes" tive, que amor, que amigos, que inimigos, que surpresas e que desilusões. Este é só mais um pensamento como tantos outros que tenho quando sinto medo da vida. Sim, é isto, tenho falta de paciência para as "miudezas" e medo daquilo que elas me podem fazer! Ás vezes são os pequenos erros que nos atrasam o caminho e nos provocam o sofrimento. Que fazer com o desprezo dos outros, quando o que queremos é atenção? Que fazer com o medo dos outros, da nossa doença, quando o que precisamos é de cuidado? Que fazer com o silêncio, quando o que queremos é dar uso a um dos nossos preciosos cinco sentidos, a audição (especialmente se for para ouvir coisas bonitas)? Lá temos nós que abrir a nossa maleta de primeiros socorros sentimentais, (que existe em cada um de nós, claro está!) e sacar de lá de dentro um pouco de betadine da compreensão, colocar uma comprensa de paciência e colocar por fim um daqueles pensos impermeáveis, para não deixar entrar nem um bocadinho de rancor, ou estragaríamos qualquer tentativa de cicatrização!
Eu acredito que tudo isto não passa de um desejo incontrolável de ser feliz e, como a Novembro tão bem disse, "fazer-me feliz".
Não deixem, por favor, passar muito tempo até ao próximo café. Quando passarem à porta, não hesitem, entrem!
Meninas, um beijinho!*j*t*
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