quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Dois meses depois (quase)

Fará dois meses no dia 4 de Dezembro que saí de casa com intenção de me separar e divorciar.

Costuma dizer-se que o divórcio causa ainda maior stress que a morte do cônjuge. De facto, não é fácil, mas posso assegurar que pensei que seria bem mais difícil. Todos nós temos estratégias de protecção, de suavização da mágoa que sentimos cá dentro, que ajudam a passar os dias mais duros e a conseguir levar o objectivo até ao fim. Somos mais fortes do que pensamos, principalmente quando percebemos que nos retira muito mais energia manter um ser "moral" ao invés de sermos o que nos vai ca dentro.


Assim, no meio desta tempestade, consegui manter o meu emprego - inclusive com indicações positivas de colegas e chefes -, consegui começar a limar arestas aguçadas em relações de amigos e familiares, consegui não me esquecer das razões para deixar este casamento, consegui iniciar e manter um processo psicoterapêutico, consegui começar a entrar no mundo das relações "de adultos", consegui começar a tratar dos aspectos mais formais do divorcio.

Todas estas "conquistas" têm muito que se lhe diga, mas por enquanto este não é nem o momento nem o local.


Passo por momentos chatos, complicados, insegurança, culpabilidade e muita ansiedade. Por mais que tenhamos pessoas ao nosso lado, com disponibilidade para ouvir e apoiar, o que é certo é que ficou para trás um Projecto de Vida, expectativas, rotinas, objectos, espaços físicos habituais, e até uma forma de ver o mundo e ou outros.

Acho que a principal verdade que retiro de tudo isto é que não podemos ter a certeza que o nosso amor nunca nos deixará, que nunca se interessará por outro(a). Porque, do mesmo modo, nós não podemos garantir ao nosso amor - nem a nós mesmos-, que não vamos mudar e interessar-nos por outra pessoa ou por outra forma de viver.


Eu sinto que lutei muito para manter aquele amor, e que o meu futuro ex-marido deixou de ter a noção de mim, enquanto ser autonomo, e de que por mais dedicado que esse ser (eu) estivesse em manter viva aquela ideia do "nós", não poderia prescindir tanto de si mesmo. Nem sei sequer se ele pensou que eu estivesse garantida, simplesmente não pensou. Mas eu não me deixei morrer, continuei a existir e a crescer. Temos pena :)

Outra certeza que retiro é a de que não devemos, então, prescindir de nós mesmos. Existe um espaço pessoal do qual não devemos abdicar, que no fundo é o que nos torna genuínos. Ter uma relação implica ceder a ponto de tornar a convivência não só suportável, mas claramente melhor do que estar sozinho: estar a dois tem de ser melhor do que estar sozinho. Precisamos do outro para nos completar, para nos dar aquilo que nós não conseguimos sentir sem um outro; mas não precisamos do outro para nos cortar bocados de nós, nos pôr em baixo, nos diminuir. Então, o desafio está em saber quem somos, do que podemos prescindir, do que não abdicamos, e o que nos satisfaz e dá verdadeiro gozo.

É nesse caminho que estou. A ter de conviver com a consciência, por vezes dolorosa, por outras vezes também reconfortante, de que nada é certo. Aqui a sabedoria popular é, de facto, sábia, quando nos diz "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Neste caminho, tento calçar os meus proprios sapatos, saber o que levo na mochila, saber quem quero a caminhar comigo.

Por Novembro.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sair de casa

Hoje saí de casa.

Não saí apenas para ir trabalhar, como em qualquer outra segunda-feira. Saí de casa.

Trouxe algumas mudas de roupa, alguns produtos de higiene, atabalhoadamente, sem grandes planos nem prazo para voltar. Esqueci-me da escova de dentes. Vim para casa da minha irmã, pedi uma pizza por telefone, ja falei com a minha irmã, com a minha mãe e com um bom amigo. Todos significam algo diferente, nenhum tem a resposta que só esta dentro e de mim e do T.

Não estou ainda a acreditar que ja esta. Foi tão impessoal... Practicamente não chorei, nem eu nem ele, pareciamos dois monos que não sabem muito bem o que fazer um com o outro. Estou desiludida comigo. Achei que queria uma vida de estabilidade e rotina apaziguante, não ser bem notada para não depender demasiado de um suposto amor...

E agora? Aí vem o infinito e o desconhecido. Tenho direito a mais? Quero mais? Vou ser feliz com mais? Como vai ser o dia de amanha?

Porque me sinto tão sozinha à mesma?

Por Novembro.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Amor real ou imaginado?

Jasmin, o teu post emocionou-me.

É inspirador, bonito e fascinante pensar dessa forma sobre o amor. Outro dia via "O Sexo e a Cidade", uma cena em que Carrie termina uma relação dizendo que não aceita um amor que não a consuma, que não seja avassalador e irresistível, sem urgência de estar sempre com a outra pessoa.

Penso que o dilema é saber quanto de realidade existe neste amor imaginado, certo? É pelo menos o meu dilema.

Como caracterizo este amor de oito anos? Olho para o T. e sei que ele é a pessoa em quem mais confio no Mundo. É puro e até demasiado ingénuo nas suas convicções e interesses, não é capaz sequer de me tocar desde que lhe disse que não estava feliz com a nossa relação. Sei que ele me ama á sua maneira, me quer como testemunha da sua vida. Sei que esteve comigo nas fases mais duras destes ultimos anos, e, em certa medida, obrigou-me e permitiu-me ser tão independente como eu achava que queria ser. Ele tem toda a certeza que me quer a seu lado, que quer que eu tenha os seus filhos, que eu sou parte integrante de si a ponto de não me por em causa tal como não colocaria em causa um orgão interno seu. Sei que, no passado, alturas houve em que não suportava a espera pelas suas mensagens, ou demoras em chegar ao pé dele, que suportava todo o dia na esperança de sentar ao seu lado apenas a ver televisao. Sei que o dia do nosso casamento foi um dia feliz em que eu fui princesa e que será superado apenas pelo nascimento de um filho. Sei que é provável ficar ao seu lado todos os dias que nos faltam viver, e ter momentos bons e felizes.

Mas quem sou eu neste amor? Sinto-o como irresistível e tremo por dentro? Saberei de facto avaliar o impacto que a sua omnipresença tem em mim? Tenho vontade de viver uma outra vida, alugar uma casa pequena, deixar as minhas roupas e brincos espalhados pela mesa, sair do trabalho e ir directamente ver o rio e o por do sol sem me preocupar com o que janto, sair com quem me apetecer sem expectativas ou justificações, ver um filme merdoso acompanhada por um bom vinho e um bom amigo. Não quero para mim por acções judiciais a empreiteiros, comprar canoas e cadeirões de qualidade/durabilidade, decorar a minha casa como se fosse em breve fotografada para a Casa Cláudia, assistir a provas desportivas cheios de homens enlameados e excessivamente magros, manter relações com pessoas desinteressantes "porque sim, porque somos amigos ha tanto tempo".

Quem sou eu na vida? Alguém que transpira intropecçao apesar de ter escolhido fechar os olhos para dormir confortavelmente algum tempo, exactamente durante o tempo que durou esta relação. Sou alguem sarcástico e ironico. Sou alguem forte e inteligente, agora um pouco mais tolerante. Sou alguem que gosta de sentir que é imprescindível, notada, importante, admirada. Sou alguem que rejeita convenções sociais, meramente me adapto às que me permitem viver melhor. Sou alguem que vive na ansiedade das suas escolhas, que sente que algo muito errado poderá acontecer no futuro, que sente a pressão interna para decidir "já" e decidir "para sempre" mas ao mesmo tempo não se sente coesa e decidida. Alguém que consegue ver os outros com clareza mas não a si mesma.

O que fazer com isto? Dar tempo a mim mesma. Contrariar a necessidade de decidir já e para sempre, treinar-me para perceber que há todo um mundo lá fora e que tenho apenas 26 anos e tanto por descobrir, seja aqui o meu lugar ou não. Não é hoje que sei a resposta, está escondida no meu coração e ainda tenho de procurar mais algum tempo.

Por Novembro.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

o meu Eu socio emocional

Vivo a minha vida segundo regras pessoais e uma disciplina imensa para conseguir manter a minha integridade física, mental e espiritual. Não é com facilidade que me deixo influenciar e convencer a agir de determinada forma, só porque insistentemente o fazem. O meu "não" será "não" até eu entender que afinal pode ou deve ser sim. Tenho um sentido de responsabilidade tão grande que chega a roçar a estupidez. Não aceito que seja uma questão de teimosia e inflexibilidade puras, mas antes uma questão de carácter e personalidade. Não é que não ceda a determinadas pressões, mas para tal tem que haver uma justificação razoável e aceitável. Por vezes consigo ser desagradável, à primeira impressão, mas sem esta exactidão morna não conseguiria jamais suportar o peso do mundo, do meu mundo, como o suporto. O meu Eu socio emocional, mais emocional que socio, anda, como já disse, carente. Sinto falta de mais, sinto falta de confiança, cumplicidade e capacidade de altruísmo. Tem dias em que escavo uma trincheira à minha volta, sem pontes para o exterior (ou interior) e mesmo quem sabe (e pode) tem dificuldade em encontrar caminho em tamanho buraco. Como se faz para aceitar que a outra pessoa, apesar de exigente, não tenha o mesmo nível que eu de persistência, integridade e capacidade de dizer "não"? Muitas vezes pergunto-me se tenho que aceitar ou devo persistir? Antes prefiro "matar um amor de exaustão, que deixá-lo morrer devagar", não é N.? Percebo agora por que os divórcios acontecem: não é porque as pessoas não tenham respeito umas pelas outras e/ou se vejam umas ás outras como embalagens Tetra Pack, úteis somente enquanto são novas mas que depois de velhas o seu único destino é só mesmo o EcoPonto Amarelo. Os divórcios acontecem porque as pessoas têm uma noção maior daquilo que querem, de que podem ser felizes e que têm esse direito. E se até podiam estar pior, têm a noção de que podiam de facto estar melhor. Quero crer que todas as pessoas têm o direito a procurar a felicidade, a harmonia e um bem estar integral. Têm o direito a ter a certeza absoluta de que têm o melhor na vida. E dizer, com um sorriso nos lábios: a minha vida é perfeita.*j*t*

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tema Semanal: rumo a um bem estar integral

Aqui fica o registo da minha vida actualmente, pontos fortes e fracos, áreas a melhorar e outras em que só o tempo o dirá.
Física: a esta área dou 8. Parece bastante elevado o valor que lhe atribuo e na verdade reflecte o meu estado de espírito e motivação que sinto agora. Desde que me mudei para a minha casa que tenho tentado melhorar toda a parte física do meu eu, quer em termos de alimentação, quer em termos físicos e de aparência. Comecei a beber leite magro em substituição do leite meio gordo, comecei a incluir mais vegetais e menos fritos na minha alimentação, comecei a beber 1.5l água/dia, na praia não prescindo do protector solar e depois do banho não passo sem creme hidratante no corpo (todos os dias). Em relação ao corpo, decidi dar início ao Programa Barriga Lisa, andar/correr pela manhã e/ou saltar a corda em casa. Em relação ao estilo, sinto que finalmente encontrei o meu estilo: no que respeita à roupa, deixei de sair com a "roupa de domingo" e de parecer uma cigana, e em relação ao cabelo, obrigo-me a mim mesma a cortá-lo mensalmente, de forma a não deixar passar à fase do monstro!

Mental: a esta área dou 7. A qualidade dos meus pensamentos está boa. Eu acho que mesmo no meio de um turbilhão de ideias negativas e do caos, eu consigo manter a minha sanidade mental. No entanto, sinto-me presa a pensamentos e problemas, para os quais ainda não consegui encontrar uma solução e que me fazem temer o futuro, o meu futuro. Mas não deixo que isso me impeça de continuar a sonhar, a desenvolver ideias novas e a estimular-me mentalmente. Em prol da minha lucidez.

Sócio-emocional: a este ponto dou 5. Esta parte do meu Eu anda doente, anda carente e anda insegura. As minhas relações de amizade estão relativamente bem, embora não consigamos estar juntas como gostaríamos, não é Novembro? Mas considero que amizade a sério não se deixa abater por isso, porque quando sabemos que é a sério, basta-nos pensar que a outra pessoa está lá para quando precisarmos de um ombro amigo. As minhas relações familiares, ainda que sem grandes revoluções ultimamente, são sempre algo que me dá que pensar, nos seus problemas e nas suas falhas. A minha relação amorosa é que me dá cabo da "média" e até acho melhor desenvolver este ponto em particular num outro post. Uma área a melhorar.

Espiritual: a esta área dou 6. E dou 6 pontos, não porque esteja quase no auge da minha "espiritualidade", nem no auge da minha paz de espírito, mas porque me sinto bastante lucida e consciente, apesar de todas as dúvidas e pequenas questões internas que tenho que gerir. E no fundo acaba por ser essa lucidez que faz com que consiga manter a minha personalidade e ser fiel aos meus principios e valores.*j*t*

domingo, 29 de agosto de 2010

Café Brulot


Em homenagem ao nosso blog, que tantas coisas nos tem aturado ao longo dos anos, aqui fica uma foto do famoso "Café Brulot". Ele existe, não agrada a todos os gostos mas é certamente muito interessante.

Vejamos a receita, retirada de
http://cybercook.terra.com.br/receita-de-cafe-brulot.html

Ingredientes:

1 dose de conhaque
Canela em pau
8 colheres de chá de açúcar
4 cravo-da-índia
Casca de laranja
Casca de limão
4 xícaras de chá de café forte quente

Preparação:

Aqueça o conhaque com a canela, o açúcar, os cravos da índia e as cascas de laranja e de limão numa panela. Divida o café quente entre 4 xícaras pré-aquecidas e despeje a mistura de conhaque a ferver por cima, tomando cuidado para as especiarias ficarem na panela. O Café Brûlot, receita francesa, é muito apreciado após as refeições.



Por Novembro.

sábado, 28 de agosto de 2010

Tema Semanal

Física: 7

Posso dizer que tenho uma alimentação equilibrada; como carne, peixe e substitutos vegetarianos. O meu estilo de vida não é tao activo como eu gostaria, mas certamente é superior a maioria. O meu trabalho acaba por ser equilibrado, não é muito sedentário, implica movimentar-me dentro das instalações mas também passo algum tempo sentada.


Mental: 7

Habitualmente, consigo ser prática, estabelecer caminhos para atingir objectivos e metas.

Socio-emocional: 5

Estou a passar por uma fase que requer alguma instrospecção. Tenho noção de que tenho andado confusa, preocupada e centrada no exterior. Não posso dizer que esteja na melhor fase da minha vida, mas pelo menos estou a construir ideias concretas sobre como fazer de mim uma pessoa mais feliz.


Espiritual: 5

Tenho sido fiel a mim propria, mas a custo de estar constantemente a por em causa quem sou, de onde venho e para onde quero ir. Tenho estado centrada no presente e no futuro proximo, de facto devia pensar um pouco mais a sério no meu EU espiritual.

Fazendo as contas, a minha média é 6...

Por Novembro.

Ontem percebi que tenho uma pedra no sapato.

Ontem percebi que tenho uma pedra no sapato, há anos.

Pensei que já tinha resolvido aquele handicap, mas na verdade ainda não; ter sido tão perceptivel para outra pessoa fez-me sentir ridicula e espero conseguir manter a minha imagem.

Em Setembro vou iniciar uma psicoterapia. Escrevo aqui para não poder deixar para depois, ou achar que afinal não preciso.

Esta situação confirmou a minha necessidade de resolver alguns dilemas, que, á partida, se devem a uma desconfiança constante em relação ao outro originada pela fraca autoconfiança nas minhas experiências e capacidade para fazer boas escolhas.

Sendo clara: iniciei uma relação de amizade com uma pessoa, com a qual me senti confortável para partilhar aspectos pessoais meus. De um momento para o outro, essa partilha tornou-se pesada, comecei a sentir uma vergonha imensa, uma sobre-exposição, aterrorizada pelo que a pessoa pudesse pensar sobre mim e - pior! - contar a outros. Desconforto e empatia podem facilmente ser confundidos com outros sentimentos; acabei por ter de ganhar coragem e falar claramente com o sujeito sobre estes sentimentos para que a minha confusão não ganhasse o formato de suspeita para ele.

Resultado final: um pouco mais de luz sobre o turbilhão de emoções que andava a sentir; a capacidade de me chegar a frente e dize-lo em voz alta (apesar do modo super nervoso e ate ridiculo com que o fiz); a consciência de que tenho de trabalhar esta dificuldade antes de dar um salto de confiança e amizade.

De coração aberto e exposto, aqui sinto que é possível ultrapassar o medo da critica.

Obrigada por isso, JT.


Por Novembro.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Detesto ainda...

Hábitos, vícios, costumes, tradições e comportamentos repetidos inconscientemente. Detesto ir sempre ao mesmo café e pior, ter o hábito de ir sempre ao mesmo café! Detesto as repetições e os "constantementes", só porque sim!*j*t*

Detesto...

Detesto lugares comuns, senso-comum e expressões como "castiço", o "pão é guloso" (não, nós é que somos) e "cuidado com a moleirinha do bebé". Será que as pessoas não conseguem evoluir e deixar de usar expressões do antigamente, do tempo das nossas avós e bisavós? O que é isso de ser castiço? É ser engraçado? É ser original? Ou é ser uma série de adjectivos que se resumem a uma palavra: castiço. E o pão ou o chocolate ou o frango ser guloso? O frango é guloso? Mas quem o está a comer sem parar és tu, e não o contrário! E a moleirinha do bebé? A cabeça queres tu dizer... moleirinha lembra um saco onde estão de reserva moelas para o jantar... por favor!*j*t*

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Ler nas entrelinhas

Se alguém olhasse para dentro de mim hoje, e tentasse ler os meus pensamentos, será que ficaria horrorizado?

Veria, talvez, que sou um bocado imatura apesar de disfarçar tão bem, que me tenho deixado fascinar, que posso prejudicar pessoas de quem gosto; veria que eu sei que não tenho certezas e não era suposto, se nem sequer posso culpar outra pessoa qualquer sem ser eu.

Por Novembro.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tema Semanal: bem estar integral

Sinto uma ligeira vergonha em vir lançar um Tema denominado "semanal", mas que de "semanal" só tem mesmo o nome... A verdade é que deve haver mais de um ano que não lançamos nenhum, mas no outro dia li um artigo interessante e achei que deveria dar um óptimo Tema, não semanal, mas de reflexão.
O tema para reflectirmos Novembro tem a ver, tal como o próprio nome indica, com o nosso bem estar, com aquilo a que eventualmente chamamos felicidade (ou caminho até ela). Como fiquei a saber depois de ler o dito artigo, diversos autores defendem que somos compostos por 4 áreas fundamentais: física, mental, socio-emocional e espiritual. O artigo propunha que, usando uma escala de 1 (muito mal) a 10 (muito bem), se reflectisse em cada um dos campos do nosso Ser e lhe atribuíssemos um valor. E no fundo eu vou propôr o mesmo, com a condição de que expunhamos a nossa reflexão e o que nos levou a atribuir determinado valor a determinada área. Para nos ajudar eu vou expôr um pouco a que se refere cada um dos items:
Física: Tem uma alimentação equilibrada e saudável? Tem um estilo de vida activo? Tem dormido bem ou acorda cansada e sem energia? Faz pausas durante o dia?
Mental: Como está a qualidade dos seus pensamentos? Está "presente" ou passa o tempo preocupada com o futuro e/ou a remoer no passado? Define objectivos para o que procura atingir? Tem ideias novas?
Socio-emocional: Está satisfeita com a qualidade das suas relações (familiares, amorosas, amizades, etc)? Tem feito actividades que lhe dão prazer? E "namorado" com a vida? Há quanto tempo não solta uma boa gargalhada?
Espiritual: Tem sido fiel aos seus valores? Tem feito algo pelo seu legado, pela forma como quer ser recordada no futuro? Passa tempo na natureza ou em actividades que lhe permitam contacto com algo maior (ex.: voluntariado)?
Novembro, boa reflexão! Não te demores que eu vou tentar fazer o mesmo!
Beijinhos grandes, *j*t*

terça-feira, 1 de junho de 2010

Montra de ambiguidades.

Ouvi recentemente num estudo americano que a maioria dos divórcios acontece porque cada uma das partes do casal deixa de ter interesse no que a outra pessoa tem para dizer e então, por isso mesmo, deixa de fazer sentido estarem juntas. No fundo isto faz sentido, mas não será mais que isto? Não serão os jeitos do outro que deixam de ser engraçados para passarem a ser enervantes? Não será a teimosia do outro que deixa de ser caracterísitica para passar a ser uma parte importante no desentendimento entre ambos? Não será ainda que a rotina retire os momentos mais importantes num casal, nomeadamente a admiração mútua, o orgulho, o desejo e o tempo para se (re)conhecerem a cada dia que passa? A verdade, sinceramente, não a conheço. E o que é verdade para mim, pode não o ser para outras pessoas. A única coisa que sei é que afinal há coisas mais fáceis de acontecer do que aquilo que eu julgava. E reconheço agora que há todo um Mundo paralelo ao meu que desconhecia e ao qual não pretendo pertencer. Desse Mundo tive conhecimento da pior maneira, não directa, mas indirectamente: quando na rua temos o que em casa não há tempo e damos por nós a pensar se afinal poderíamos ter mais do que aquilo que temos. Isto não é muito grave, mas indicia que algo está errado. É claro que jamais me deixaria iludir por determinadas situações, mas a verdade é que me deixou pensativa.*j*t*

terça-feira, 20 de abril de 2010

Mind & Body Balance.

Acima de tudo e antes de mais nada, o que todos nós queremos é equilibrio, o nosso e o dos outros, já que muitas vezes a nossa vida é feita de pedaços das vidas dos outros. E quantas vezes não respirámos já o ar que outros rejeitaram, num impulso imediato de sobrevivência? Neste momento vivo um dos momentos mais importantes e marcantes da minha vida: vivo a (in)dependência, vejo os meus sobrinhos a crescer, sinto o amor a ganhar formas diferentes e vejo-me a mim a mudar, para melhor, eu acho! Estou também neste momento consciente de coisas que antes não teria conseguido, mas também tenho consciência que muitas outras têm que melhorar. Quero sentir a vida, quero sentir a adrenalina, quero sentir-me apaixonada, desejada, quero sentir prazer e sentir os outros a sentirem o prazer que eu lhes dou, quero fazer coisas, quero sentir-me bonita, íntegra, lembrada e em consideração. Quero ver-te a ti, sim a ti, a não cair em tentação: fui eu que te fiz vacilar? Nunca o devias ter feito, pois há tanta gente a olhar para ti e tanta gente que fazes doer por dentro com os teus actos, é quase como estar cheio de fome e deitar fora um prato cheio de comida... Quero ver muitas mais vezes o sorriso infantil de felicidade da minha mãe, quero ouvir música em altos berros dentro do carro e cantar, e sentir, naquela altura, que tudo ali depende de mim e daquilo que eu quero: o volume, a música e a afinação. No fundo é isto mesmo: quero fazer tudo aquilo que me apeteça, desde que nada daquilo que eu quero prejudique ninguém, nem interfira no equilibrio de ninguém, já que isso iria interferir no meu também.*j*t*

sexta-feira, 16 de abril de 2010

A 1a idade, a contar do fim...

Hoje vi duas situações que me tocaram bastante e que no fundo me magoaram como ser humano. Neste momento tenho 27 anos, mas se entretanto o mundo não acabar, para mim ou para os outros também, chegarei também eu à idade das rugas corporais e mentais, à idade do desprezo porque não oiço ou falo, à idade da incompreensão, simplesmente porque os meus movimentos e pensamentos são lentos, de acordo com o cansaço dos impulsos nervosos emitidos pelo meu cérebro. Numa primeira situação vejo uma senhora de idade, sentada numa recepção de um laboratório de análises, a ser atendida. Enquanto a empregada lhe emite a listagem de análises a realizar e o recibo de pagamento, a tal senhora, muito bem arranjadinha por sinal, balbucia alguns dos seus problemas, pelo que percebi o marido estava internado no HSM e ela agora morava com a filha, também ela ali sentada a acompanhar a mãe. A verdade é que, entre o barulho da rua, o barulho da impressora a imprimir, o barulho das pessoas a falarem, o barulho do mundo a decorrer e as palavras que a senhora amiúde ia guardando dentro da sua prótese dentária, não se ouvia nada e nem a senhora analista fez qualquer esforço para a perceber. Eu estava de pé, a 1 metro de distância dela e foquei os movimentos dos seus lábios e abstraí-me do Mundo e não, não consegui perceber nada. Mas o mais triste é que, apesar de toda aquela silenciada história não ser de todo importante para mais ninguém a não ser para a dita senhora, aquela que devia dizer alguma coisa, a única coisa que se lhe ofereceu justamente fazer foi: ignorar. Nestes casos no fundo é o melhor a fazer, por muito triste que seja, porque no fundo sabemos à priori que qualquer pergunta ou afirmação vai levantar mais, pelo menos, 10m de dolorosa e vazia conversa.
Na outra situação, talvez mais deprimente, vi um senhor de idade, com um ar ligeiramente sujo, doente, envelhecido e solitário, ser rebaixado, como se rebaixa e afasta um cão vadio e pulguento, pela eventual médica de família. O senhor entrou, com visível dificuldade, consultório adentro, julgo que com problemas de pele, mas também percebi que tinha desmaiado e tinha ido para o Hospital e, áquela hora, 9.30h, ainda não tinha ingerido nada, acho que não tinha vontade. A médica gritou-lhe que ela não podia comer por ele, e que ele tinha que comer senão ia desmaiar outra vez e gritou-lhe para ele sair do gabinete. Terá sido o ar sujo e vulnerável dele que incentivaram aquele comportamento e aquelas palavras tão duras? A mim custou-me ouvir, mas na verdade quem é que acompanha aquelas pessoas? Como se faz com as crianças, quem obriga aquele homem a comer, que possivelmente já não tem mulher, ou nunca teve, e de quem os filhos já não querem saber? Nem a insígnia de ex-militar lhe vale agora respeito, debruçado sobre o casado velho e bolorento.
Faz-me doer verdadeiramente a deprimente evolução do Ser Humano, que passa de um nada fofinho e um tudo irreverente e arrogante até que termina novamente num nada, mas agora cheio de vazio, peles velhas e histórias que ninguém tem tempo de ouvir, nem paciência para escutar. *j*t*

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A minha alegre casinha

Gostei muito desta tua frase, tão realista: "sair de casa é SAIR de casa, não é construir uma casa de madeira no cimo de uma árvore onde se vai brincar, imaginar umas coisas, dormir umas noites e no fim do dia ir comer a casa dos papás". É muito bom, por motivos varios e muito mais significativos, mas é também um choque de realidade.

Mas... Ó minha amiga... Não conheço muitas raparigas de 26 ou 27 anos, com um emprego a tempo inteiro, que:

Ponto numero 1: Varram o WC diariamente;

Ponto numero 2: Lavem o chão da cozinha também diariamente (varrer, ok, faz parte);

Nós é que possuímos a casa, não é a casa que nos possui a nós. Gradualmente, eu tive tendência a deixar cair umas tarefas e a valorizar outras, principalmente pela sua utilidade e urgência.

Se bem que a fase em que olhamos para as divisões e as achamos o máximo e as queremos sempre no seu melhor, é uma fase optima, pela expectativa e satisfação associadas.

Daqui a uns meses começas a fazer cedências, é que o corpo e a mente ressentem-se, cuida de ti!

Por Novembro.

quarta-feira, 31 de março de 2010

The game has begun!

Sim, já está: passei ao nível seguinte! Passei ao nível da independência dos pais e da escravidão da limpeza e das lides domésticas, em todo o seu esplendor. Se estou feliz? Sim, muito: primeiro por ter conseguido e segundo porque é bom saber que tenho o meu refúgio sempre à minha espera, sujo ou limpo, depende de como eu própria o deixei! Ali, no meu "guarda jóias", tenho tudo: o amor, a comida, a roupa, os banhos matinais, o sono e eventualmente algum cotão espalhado pelo chão... ai Novembro! ;)) Em apenas 5 dias, 2 dos quais da vida real (já que o fim de semana não contou), e em contacto com outras pessoas, já consegui chegar a algumas conclusões: sair de casa é SAIR de casa, não é construir uma casa de madeira no cimo de uma árvore onde se vai brincar, imaginar umas coisas, dormir umas noites e no fim do dia ir comer a casa dos papás, porque em «nossa» casa dá muito trabalho e despesa! Isso não! Sair de casa é criar uma casa nova de raiz, não é ficar ligado a outra casa de onde canalizamos para a nossa algumas energias. Sair de casa é ter roupa para lavar e passar a ferro, é ter que fazer comer para o jantar e almoço para o dia seguinte, é varrer o chão da casa de banho todos os dias, é ter que limpar o fogão e varrer e lavar o chão da cozinha todo o santo dia! Isso sim, é sair de casa! Não me venham com histórias da carochinha e grandes vidas cheias de luxos, mas disfarçadas de brincadeiras de crianças... O jogo começou, num nível diferente, mais duro e mais dificil, mas espero que cheio de coisas boas e de vida preenchida. *j*t*

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dia de S. Valentim: 14 de Fevereiro de 2010

"Que melhor prenda podia uma Tia receber no dia dos Namorados? Uma Sobrinha!" E nem mais, recebi mesmo uma Sobrinha! São 2710g e 43cm de puro amor, carinho e adoração. É uma menina linda, e não fosse eu, mais uma vez, tia babada! A verdade é que era capaz de passar horas a olhar para ela, a ver como é perfeita, a vê-la respirar e a ver como franze a testa ao sonhar com a melhor refeição do Mundo: o belo leitinho imunizante! Adoro cheirá-la, passar o meu nariz na pele enrugada e dar-lhe beijinhos! Enfim, o melhor dos mundos possível! Mas, para muito além deste amor, há uma outra paixão: o meu sobrinho e meu afilhado! Quero também deixar aqui claro que o meu sobrinho vai continuar a ser "a minha coisinha linda", que me preenche o coração quando estou em baixo! Um beijinho e um abracinho dele curam qualquer tristeza. Posso assim dizer que, neste dia dos Namorados e para Sempre (até que o sempre o permita), ganhei duas razões para festejar o S. Valentim: dois sobrinhos lindos a quem prometo dar sempre tudo o que puder, mas principalmente o meu amor, o meu carinho, a minha compreensão, os meus beijinhos nos dias maus (e nos dias bons também) e a minha presença sempre que esta se torne premente! *j*t*

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Reler 2007

Hoje estive a reler por alto o ano 2007, aqui no blog.

É muito engraçado ver que a vida se move devagar, mas quando olhamos para trás já tanta coisa aconteceu.

Em 2007, Kravings escreve que a vida é um aborrecimento, que está a começar o estágio. E hoje, sabemos que trabalha no pais das tortilhas, que antes desse já trabalhou no país dos bifes, e para espanto de todos, encontrou o amor aqui em Portugal, onde ele sempre esteve.

Kaloria refere um acampamento de Verão onde eu supostamente cometi atentados contra a integridade física das pessoas intervenientes, e manifesta a sua indignação pela massa gorda acumulada nas suas pernas. Tal como Kravings, a aventura passou por Londres e agora está no país irmão.

Nem tudo é pacífico, o saldo final pede umas férias entre estas duas pessoas que se amam.

Tu, Jasmim Tea, sais de uma relação intensa e tumultosa, e perguntas-te onde te leva o futuro, sempre num estilo muito pessoal e interessante. É bela a tua forma de olhar para o Mundo e fotografar o que sentes através de palavras.

Eu passei tempos extremos, de aborrecimento, conflitos internos e vazio (http://cafebrulot.blogspot.com/2007/04/prximo-objectivo-14h18h-obter-cap.html), para felicidade e esperança extrema.

Sobre mim, posso concluir que é sempre bom sentirmo-nos fascinados pela vida, "matá-la de exaustão" ao invés de a "deixar morrer devagar", e tal como referi nesse ano, importa mais escolher um tom de "cinzento" apropriado a nós do que nos posicionarmos no extremo. Claro que a nossa visão muda, e o que foi perfeito hoje não o é: perfeito é continuarmos a permitir a nós próprios acreditar que tudo vai ficar bem.

Por Novembro.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Palavras de aconchego... ou realidade, by S.B.

"nunca mais na tua vida voltarás a ser criança, onde tudo é amor e onde os problemas verdadeiramente não existem. A partir daí nunca terás ao mesmo tempo tudo a teu gosto, pois a vida é um castelo de cartas, moldadas ao jeito do jogador, onde a perícia impera: mexes uma carta, podem cair duas, mas se pensares no jogo efeito-consequência, de certeza tiras a carta certa. Chave: perícia do jogador."
Estas foram as palavras de aconchego do meu cunhado, numa altura difícil da minha vida, por quem tenho crescente admiração e quem eu considero meu irmão mais velho. Nunca lho disse, mas talvez um dia lhe diga. Com ele já partilhei textos secretos aqui do blog, que mais ninguém para além de ti, Novembro, sabem que fui eu que escrevi. *j*t*

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

2010: Ano Novo, Vida Nova...

...ou pelo menos diferente. Talvez ainda não seja para hoje os desejos para o Novo Ano. Só peço que não me perguntem: "Como foi o Novo Ano?" Epá, não sei! O Novo Ano tem só 4 dias, é um bebé ainda e se queres saber (não queres, porque eu não te vou dizer) teve um parto difícil. A vida nova que o Novo Ano pode trazer, só o tempo o vai ditar, esse conselheiro tão sábio. Vamos aguardar... *j*t*