quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Dois meses depois (quase)
Costuma dizer-se que o divórcio causa ainda maior stress que a morte do cônjuge. De facto, não é fácil, mas posso assegurar que pensei que seria bem mais difícil. Todos nós temos estratégias de protecção, de suavização da mágoa que sentimos cá dentro, que ajudam a passar os dias mais duros e a conseguir levar o objectivo até ao fim. Somos mais fortes do que pensamos, principalmente quando percebemos que nos retira muito mais energia manter um ser "moral" ao invés de sermos o que nos vai ca dentro.
Assim, no meio desta tempestade, consegui manter o meu emprego - inclusive com indicações positivas de colegas e chefes -, consegui começar a limar arestas aguçadas em relações de amigos e familiares, consegui não me esquecer das razões para deixar este casamento, consegui iniciar e manter um processo psicoterapêutico, consegui começar a entrar no mundo das relações "de adultos", consegui começar a tratar dos aspectos mais formais do divorcio.
Todas estas "conquistas" têm muito que se lhe diga, mas por enquanto este não é nem o momento nem o local.
Passo por momentos chatos, complicados, insegurança, culpabilidade e muita ansiedade. Por mais que tenhamos pessoas ao nosso lado, com disponibilidade para ouvir e apoiar, o que é certo é que ficou para trás um Projecto de Vida, expectativas, rotinas, objectos, espaços físicos habituais, e até uma forma de ver o mundo e ou outros.
Acho que a principal verdade que retiro de tudo isto é que não podemos ter a certeza que o nosso amor nunca nos deixará, que nunca se interessará por outro(a). Porque, do mesmo modo, nós não podemos garantir ao nosso amor - nem a nós mesmos-, que não vamos mudar e interessar-nos por outra pessoa ou por outra forma de viver.
Eu sinto que lutei muito para manter aquele amor, e que o meu futuro ex-marido deixou de ter a noção de mim, enquanto ser autonomo, e de que por mais dedicado que esse ser (eu) estivesse em manter viva aquela ideia do "nós", não poderia prescindir tanto de si mesmo. Nem sei sequer se ele pensou que eu estivesse garantida, simplesmente não pensou. Mas eu não me deixei morrer, continuei a existir e a crescer. Temos pena :)
Outra certeza que retiro é a de que não devemos, então, prescindir de nós mesmos. Existe um espaço pessoal do qual não devemos abdicar, que no fundo é o que nos torna genuínos. Ter uma relação implica ceder a ponto de tornar a convivência não só suportável, mas claramente melhor do que estar sozinho: estar a dois tem de ser melhor do que estar sozinho. Precisamos do outro para nos completar, para nos dar aquilo que nós não conseguimos sentir sem um outro; mas não precisamos do outro para nos cortar bocados de nós, nos pôr em baixo, nos diminuir. Então, o desafio está em saber quem somos, do que podemos prescindir, do que não abdicamos, e o que nos satisfaz e dá verdadeiro gozo.
É nesse caminho que estou. A ter de conviver com a consciência, por vezes dolorosa, por outras vezes também reconfortante, de que nada é certo. Aqui a sabedoria popular é, de facto, sábia, quando nos diz "não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe". Neste caminho, tento calçar os meus proprios sapatos, saber o que levo na mochila, saber quem quero a caminhar comigo.
Por Novembro.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Sair de casa
Não saí apenas para ir trabalhar, como em qualquer outra segunda-feira. Saí de casa.
Trouxe algumas mudas de roupa, alguns produtos de higiene, atabalhoadamente, sem grandes planos nem prazo para voltar. Esqueci-me da escova de dentes. Vim para casa da minha irmã, pedi uma pizza por telefone, ja falei com a minha irmã, com a minha mãe e com um bom amigo. Todos significam algo diferente, nenhum tem a resposta que só esta dentro e de mim e do T.
Não estou ainda a acreditar que ja esta. Foi tão impessoal... Practicamente não chorei, nem eu nem ele, pareciamos dois monos que não sabem muito bem o que fazer um com o outro. Estou desiludida comigo. Achei que queria uma vida de estabilidade e rotina apaziguante, não ser bem notada para não depender demasiado de um suposto amor...
E agora? Aí vem o infinito e o desconhecido. Tenho direito a mais? Quero mais? Vou ser feliz com mais? Como vai ser o dia de amanha?
Porque me sinto tão sozinha à mesma?
Por Novembro.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Amor real ou imaginado?
É inspirador, bonito e fascinante pensar dessa forma sobre o amor. Outro dia via "O Sexo e a Cidade", uma cena em que Carrie termina uma relação dizendo que não aceita um amor que não a consuma, que não seja avassalador e irresistível, sem urgência de estar sempre com a outra pessoa.
Penso que o dilema é saber quanto de realidade existe neste amor imaginado, certo? É pelo menos o meu dilema.
Como caracterizo este amor de oito anos? Olho para o T. e sei que ele é a pessoa em quem mais confio no Mundo. É puro e até demasiado ingénuo nas suas convicções e interesses, não é capaz sequer de me tocar desde que lhe disse que não estava feliz com a nossa relação. Sei que ele me ama á sua maneira, me quer como testemunha da sua vida. Sei que esteve comigo nas fases mais duras destes ultimos anos, e, em certa medida, obrigou-me e permitiu-me ser tão independente como eu achava que queria ser. Ele tem toda a certeza que me quer a seu lado, que quer que eu tenha os seus filhos, que eu sou parte integrante de si a ponto de não me por em causa tal como não colocaria em causa um orgão interno seu. Sei que, no passado, alturas houve em que não suportava a espera pelas suas mensagens, ou demoras em chegar ao pé dele, que suportava todo o dia na esperança de sentar ao seu lado apenas a ver televisao. Sei que o dia do nosso casamento foi um dia feliz em que eu fui princesa e que será superado apenas pelo nascimento de um filho. Sei que é provável ficar ao seu lado todos os dias que nos faltam viver, e ter momentos bons e felizes.
Mas quem sou eu neste amor? Sinto-o como irresistível e tremo por dentro? Saberei de facto avaliar o impacto que a sua omnipresença tem em mim? Tenho vontade de viver uma outra vida, alugar uma casa pequena, deixar as minhas roupas e brincos espalhados pela mesa, sair do trabalho e ir directamente ver o rio e o por do sol sem me preocupar com o que janto, sair com quem me apetecer sem expectativas ou justificações, ver um filme merdoso acompanhada por um bom vinho e um bom amigo. Não quero para mim por acções judiciais a empreiteiros, comprar canoas e cadeirões de qualidade/durabilidade, decorar a minha casa como se fosse em breve fotografada para a Casa Cláudia, assistir a provas desportivas cheios de homens enlameados e excessivamente magros, manter relações com pessoas desinteressantes "porque sim, porque somos amigos ha tanto tempo".
Quem sou eu na vida? Alguém que transpira intropecçao apesar de ter escolhido fechar os olhos para dormir confortavelmente algum tempo, exactamente durante o tempo que durou esta relação. Sou alguem sarcástico e ironico. Sou alguem forte e inteligente, agora um pouco mais tolerante. Sou alguem que gosta de sentir que é imprescindível, notada, importante, admirada. Sou alguem que rejeita convenções sociais, meramente me adapto às que me permitem viver melhor. Sou alguem que vive na ansiedade das suas escolhas, que sente que algo muito errado poderá acontecer no futuro, que sente a pressão interna para decidir "já" e decidir "para sempre" mas ao mesmo tempo não se sente coesa e decidida. Alguém que consegue ver os outros com clareza mas não a si mesma.
O que fazer com isto? Dar tempo a mim mesma. Contrariar a necessidade de decidir já e para sempre, treinar-me para perceber que há todo um mundo lá fora e que tenho apenas 26 anos e tanto por descobrir, seja aqui o meu lugar ou não. Não é hoje que sei a resposta, está escondida no meu coração e ainda tenho de procurar mais algum tempo.
Por Novembro.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
o meu Eu socio emocional
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Tema Semanal: rumo a um bem estar integral
domingo, 29 de agosto de 2010
Café Brulot

Em homenagem ao nosso blog, que tantas coisas nos tem aturado ao longo dos anos, aqui fica uma foto do famoso "Café Brulot". Ele existe, não agrada a todos os gostos mas é certamente muito interessante.
Vejamos a receita, retirada de http://cybercook.terra.com.br/receita-de-cafe-brulot.html
Ingredientes:
1 dose de conhaque
Canela em pau
8 colheres de chá de açúcar
4 cravo-da-índia
Casca de laranja
Casca de limão
4 xícaras de chá de café forte quente
Preparação:
Aqueça o conhaque com a canela, o açúcar, os cravos da índia e as cascas de laranja e de limão numa panela. Divida o café quente entre 4 xícaras pré-aquecidas e despeje a mistura de conhaque a ferver por cima, tomando cuidado para as especiarias ficarem na panela. O Café Brûlot, receita francesa, é muito apreciado após as refeições.
Por Novembro.
sábado, 28 de agosto de 2010
Tema Semanal
Física: 7
Posso dizer que tenho uma alimentação equilibrada; como carne, peixe e substitutos vegetarianos. O meu estilo de vida não é tao activo como eu gostaria, mas certamente é superior a maioria. O meu trabalho acaba por ser equilibrado, não é muito sedentário, implica movimentar-me dentro das instalações mas também passo algum tempo sentada.
Mental: 7
Habitualmente, consigo ser prática, estabelecer caminhos para atingir objectivos e metas.
Socio-emocional: 5
Estou a passar por uma fase que requer alguma instrospecção. Tenho noção de que tenho andado confusa, preocupada e centrada no exterior. Não posso dizer que esteja na melhor fase da minha vida, mas pelo menos estou a construir ideias concretas sobre como fazer de mim uma pessoa mais feliz.
Espiritual: 5
Tenho sido fiel a mim propria, mas a custo de estar constantemente a por em causa quem sou, de onde venho e para onde quero ir. Tenho estado centrada no presente e no futuro proximo, de facto devia pensar um pouco mais a sério no meu EU espiritual.
Fazendo as contas, a minha média é 6...
Por Novembro.
Ontem percebi que tenho uma pedra no sapato.
Pensei que já tinha resolvido aquele handicap, mas na verdade ainda não; ter sido tão perceptivel para outra pessoa fez-me sentir ridicula e espero conseguir manter a minha imagem.
Em Setembro vou iniciar uma psicoterapia. Escrevo aqui para não poder deixar para depois, ou achar que afinal não preciso.
Esta situação confirmou a minha necessidade de resolver alguns dilemas, que, á partida, se devem a uma desconfiança constante em relação ao outro originada pela fraca autoconfiança nas minhas experiências e capacidade para fazer boas escolhas.
Sendo clara: iniciei uma relação de amizade com uma pessoa, com a qual me senti confortável para partilhar aspectos pessoais meus. De um momento para o outro, essa partilha tornou-se pesada, comecei a sentir uma vergonha imensa, uma sobre-exposição, aterrorizada pelo que a pessoa pudesse pensar sobre mim e - pior! - contar a outros. Desconforto e empatia podem facilmente ser confundidos com outros sentimentos; acabei por ter de ganhar coragem e falar claramente com o sujeito sobre estes sentimentos para que a minha confusão não ganhasse o formato de suspeita para ele.
Resultado final: um pouco mais de luz sobre o turbilhão de emoções que andava a sentir; a capacidade de me chegar a frente e dize-lo em voz alta (apesar do modo super nervoso e ate ridiculo com que o fiz); a consciência de que tenho de trabalhar esta dificuldade antes de dar um salto de confiança e amizade.
De coração aberto e exposto, aqui sinto que é possível ultrapassar o medo da critica.
Obrigada por isso, JT.
Por Novembro.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Detesto ainda...
Detesto...
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Ler nas entrelinhas
Se alguém olhasse para dentro de mim hoje, e tentasse ler os meus pensamentos, será que ficaria horrorizado?
Veria, talvez, que sou um bocado imatura apesar de disfarçar tão bem, que me tenho deixado fascinar, que posso prejudicar pessoas de quem gosto; veria que eu sei que não tenho certezas e não era suposto, se nem sequer posso culpar outra pessoa qualquer sem ser eu.
Por Novembro.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Tema Semanal: bem estar integral
terça-feira, 1 de junho de 2010
Montra de ambiguidades.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Mind & Body Balance.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
A 1a idade, a contar do fim...
quinta-feira, 8 de abril de 2010
A minha alegre casinha
Gostei muito desta tua frase, tão realista: "sair de casa é SAIR de casa, não é construir uma casa de madeira no cimo de uma árvore onde se vai brincar, imaginar umas coisas, dormir umas noites e no fim do dia ir comer a casa dos papás". É muito bom, por motivos varios e muito mais significativos, mas é também um choque de realidade.
Mas... Ó minha amiga... Não conheço muitas raparigas de 26 ou 27 anos, com um emprego a tempo inteiro, que:
Ponto numero 1: Varram o WC diariamente;
Ponto numero 2: Lavem o chão da cozinha também diariamente (varrer, ok, faz parte);
Nós é que possuímos a casa, não é a casa que nos possui a nós. Gradualmente, eu tive tendência a deixar cair umas tarefas e a valorizar outras, principalmente pela sua utilidade e urgência.
Se bem que a fase em que olhamos para as divisões e as achamos o máximo e as queremos sempre no seu melhor, é uma fase optima, pela expectativa e satisfação associadas.
Daqui a uns meses começas a fazer cedências, é que o corpo e a mente ressentem-se, cuida de ti!
Por Novembro.
quarta-feira, 31 de março de 2010
The game has begun!
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Dia de S. Valentim: 14 de Fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Reler 2007
Hoje estive a reler por alto o ano 2007, aqui no blog.
É muito engraçado ver que a vida se move devagar, mas quando olhamos para trás já tanta coisa aconteceu.
Em 2007, Kravings escreve que a vida é um aborrecimento, que está a começar o estágio. E hoje, sabemos que trabalha no pais das tortilhas, que antes desse já trabalhou no país dos bifes, e para espanto de todos, encontrou o amor aqui em Portugal, onde ele sempre esteve.
Kaloria refere um acampamento de Verão onde eu supostamente cometi atentados contra a integridade física das pessoas intervenientes, e manifesta a sua indignação pela massa gorda acumulada nas suas pernas. Tal como Kravings, a aventura passou por Londres e agora está no país irmão.
Nem tudo é pacífico, o saldo final pede umas férias entre estas duas pessoas que se amam.
Tu, Jasmim Tea, sais de uma relação intensa e tumultosa, e perguntas-te onde te leva o futuro, sempre num estilo muito pessoal e interessante. É bela a tua forma de olhar para o Mundo e fotografar o que sentes através de palavras.
Eu passei tempos extremos, de aborrecimento, conflitos internos e vazio (http://cafebrulot.blogspot.com/2007/04/prximo-objectivo-14h18h-obter-cap.html), para felicidade e esperança extrema.
Sobre mim, posso concluir que é sempre bom sentirmo-nos fascinados pela vida, "matá-la de exaustão" ao invés de a "deixar morrer devagar", e tal como referi nesse ano, importa mais escolher um tom de "cinzento" apropriado a nós do que nos posicionarmos no extremo. Claro que a nossa visão muda, e o que foi perfeito hoje não o é: perfeito é continuarmos a permitir a nós próprios acreditar que tudo vai ficar bem.
Por Novembro.