domingo, 25 de março de 2012

[do fim]

Chega uma altura na vida em que olhamos para trás e aquilo que nos pareceu «já ali», foi basicamente há cerca de 10 anos atrás. Há 10 anos, tinha eu uns bons e inocentes 19 anos. Lembro-me como se fosse hoje: roupa preta da cabeça aos pés, unhas pretas, olhos pretos, uma nuvem depressiva em cima de mim e um mundo de escolhas à minha frente. Talvez porque tudo acontece relativamente rápido, somos obrigados a fazer escolhas, a decidir o futuro em cerca de 3 meses, como se fosse acabar o nosso prazo de validade naquele momento. E na realidade até parece que é isso que acontece: ali se encerra a juventude, a liberdade, os sonhos, os amores do secundário e começa o inferno da realidade. Neste momento, já a caminho dos 30 anos, sei que fiz 1/2 dúzia de escolhas erradas, que me fizeram chegar ao dia de hoje. Claro está que houve outras escolhas que fui obrigada a fazer devido a escolhas que outros fizeram e que influenciaram a minha vida. Mas sei também que todas as experiências são positivas, de uma maneira ou de outra, nem que seja para nos fazer crescer enquanto pessoas. Olhando para trás, sinto que podia ter feito tanta coisa diferente, eu podia ter-me feito crescer num sentido diferente. Mas quem pode adivinhar o que nos espera amanhã? "Pudera eu adivinhar o futuro." Mas o que eu tenho vindo a aprender nestes últimos dias é que há uma grande diferença entre gostar de alguém e querer viver e partilhar a vida com esse alguém, nem que seja do outro lado do mundo; há uma grande diferença entre amizade e privacidade e há também uma grande diferença entre preocupação e querer aprisionar. Aprendi também que as pessoas podem mudar de perfeitas para imperfeitas, numa fracção de segundo, e magoar-nos quando menos esperamos e que há palavras e gestos que devemos guardar só para nós. Só a nós nos temos a 100% e só em nós devemos confiar, porque não me quero deixar aprisionar, nem subjugar em troca de um pouco de nada.*j*t*

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