"É possível que algo ilegal seja moralmente correcto? Será correcto que as pessoas sejam castigadas pelos seus semelhantes? O que é que se pretende com o castigo?"
O que se pretende com o castigo é teoricamente a reabilitação da pessoa que se desviou do caminho delimitado por todos os outros. Aqui funcionam os mecanismos de defesa do EGO, em que racionalizamos as reais razões das nossas atitudes e comportamentos de forma a não nos sentirmos culpados e de os conseguirmos justificar perante nós próprios. Temos de punir quem ameaça a ordem que estabelecemos como “natural”, e para tal encontramos a desculpa bem-sonante a que chamamos reabilitação. Como se reabilita um pedófilo, um assassino, um violador? Será o afastamento da sociedade e a limitação da liberdade um instrumento de reinserção ou meramente uma arma de punição que nos permite prosseguir a fachada de sociedade democrática e inclusiva?
A minha visão pessimista do sistema judicial não implica necessariamente que discorde dos métodos que utiliza. Até certo ponto, ainda não decidi se concordo com a pena de morte, o que acaba por ser contraditório pois concordo com a possibilidade da mulher interromper a sua gravidez.
E no plano social e das relações humanas? Pais e professores têm o direito de castigar crianças como método educativo? Como diz uma pessoa que conheço: “Sejas mau ou sejas bom, o que interessa é que sejas coerente, sempre mau ou sempre bom”. Para crescer e nos sentirmos seguros, para sentirmos que pertencemos a algo, precisamos de regras, e o castigo acaba por ter a função de nos mostrar o valor dessas mesmas regras.
Existe um dilema bastante conhecido quando se tenta explicar a diferença entre a legalidade e a moralidade, que é mais ou menos assim: se para a pessoa que mais amas no mundo sobreviver a uma doença terminal tivesses que roubar uma farmácia onde se vende em exclusivo o único medicamento existente, o que farias? Para avaliar a moralidade de uma pessoa são dados várias respostas, correspondentes a vários níveis de moralidade. A minha resposta era: roubava o que fosse preciso.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
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1 comentário:
Epa, que alívio! Ainda não foi este o tema da discórdia! Estava mesmo nervosa antes de ler o teu post! Lol. Tira agora tu as tuas conclusões e depois diz-me! Beijinhos
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