"O nada. Estremeço. Claridade. Dor nos meus joelhos; o meu esqueleto não me acompanha. São 6h30 mas tenho de me levantar, só mais um bocado aqui deitado e depois levanto-me. Se não for eu aquilo não anda, sou essencial, tenho de controlar os preguiçosos irresponsáveis. São 7h00, vou levantar-me; quem é esta velha aqui ao lado?
Preciso de outro café, é o que fiz durante anos em alturas de muito trabalho, e agora com 72 anos ainda não posso descansar, sou preciso. Fui o primeiro a chegar, ganhei a corrida mais uma vez. Vejo apenas o meu fiel encarregado, ele diz-me tudo o que preciso, vejo nos seus olhos como me reconhece.
As crianças gostam de doces, sempre resultou e continua a resultar, eu sou homem e tenho muita idade, mereço assim o seu respeito. Têm roupa e comida, ingratos; sou velho, mereço respeito. Outros não conseguem, não sabem, eu explico e não entendem.
Aquela chegou agora, quer sempre ficar em casa a dormir, a leviana, finge que contribui com alguma coisa de jeito. Finge que sabe o que fazer, e as suas omissões e imperfeições tornam estes jovens em delinquentes.
Eles não sabem que eu sou. Eu vejo, eu sei. Eles não sabem nem conseguem.
Eu é que sei.
...
Estou deitado na cama.
Dói-me o corpo, dói-me a alma. Será que faço falta?"
Tal como tu, conclui que me fazia mais sentido olhar para uma pessoa com quem estou todos os dias.
Por Novembro.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
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1 comentário:
Novembro nem foi preciso ler a última frase do teu post para perceber sobre quem tinhas escrito. Está muito bom. Depois de o ler fiquei um bocadinho a absorver as tuas palavras... fiquei a sentir-me bem, não sei porquê! Beijo, *j*t*
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