As mulheres são seres múltiplos e emocionais. O que traz mais colorido à sua existência também as sobrecarrega. As mulheres fazem demais, sacrificam-se demais e sofrem demais; têm crises conjugais, crises existênciais, crises de identidade, crises de culpa e crises de nervos; são meninas, mulheres, mães, mães dos maridos, amigas e amantes; mandam em 100 funcionários durante o dia e lavam a loiça à noite; choram às escondidas, acham que o seu relacionamento acabou e depois descobrem que era tudo tensão pré-menstrual (*).
Gostei desta passagem que li num artigo escrito por esta senhora que já havia citado em outros posts. Tudo para iniciar um post que no fundo não tem tanto que ver com o que pretendo, mas gostei dele e quis partilhá-lo, pois também tu estarás provavelmente a identificar-te com alguns pontos desta passagem...
Eu disse a alguém (que ocupa o meu coração) que não era simpática, e não sou! Não gosto de rir por rir, falar por falar e dizer aquilo que me apetece, a não ser aos que me conhecem melhor (para estes não tenho nada a esconder, eles já sabem como sou medíocrezinha!). Quantas vezes não me apanhaste já a olhar com cara de parva para certas situações e com certas pessoas, em que não consigo esconder a estupefacção e falta de paciência para certas coisas. Não suporto situações ridículas, encenadas por pessoas ridículas com o intuito, muitas vezes, de fazer os outros parecer ridículos (quando no fundo ridículos são os próprios actores da cena). Irrito-me facilmente e chateio-me simplesmente por ouvir "bitates" isentos de conteúdo, em que o sorriso em nada força os meus lábios para sair... Gosto de falar, desabafar, ouvir, rir, divertir-me, mas admito que tenho pouca paciência para pessoas/situações que não fazem despertar a minha atenção ou, pelo contrário, despertam o pior de mim, nos primeiros... talvez... 5 minutos de duração! Sou difícil? Sou! Sou simpática? Não! Sou compreensiva? Sou (às vezes demasiado)! Sou exigente? Também sou!
Há pouco tempo soube, por intermédia pessoa, de um percurso de vida de uma pessoa que me foi muito próxima e que já não vejo há algum tempo. Posso dizer que passei pela fase do choque, pela fase da negação, pela fase do riso (sim, daquelas vezes que me perguntaram: "estás a rir-te de quê, pá?), pela fase da desilução distante que posteriormente conduziu à fase em que estou agora, construtiva, neste ponto! A desilusão não tem que existir em relação ao Outro, pois cada um sabe de si e só cada pessoa poderá saber o que é melhor para si próprio! A desilusão só surge porque todas as relações assentam numa base de confiança, promessas e supostamente verdades, daí que se parta imediatamente para a procura de explicações, razões, rasgos de mentira, para perceber se falhei em algum lado, para entrar em contra mão em alguma altura da minha vida naquela fase e não me aperceber disso, a não ser quando cheguei ao fim da AE e vi que a senhora da portagem estava no lado direito do meu carro e tive que me esticar todinha (às vezes até do lado esquerdo é difícil!) para lhe tocar a unhas diagonalmente pintadas e depositar-lhe o dinheiro na palma da mão! Será que temos que ser mais exigentes com os outros? Sim, acho agora que sim, com muito mais força do que sabia até aqui! Temos que ser mais exigentes com as palavras e com os gestos. Temos que pedir mais, porque as pessoas podem transformar-se em qualquer altura e não podemos constantemente abdicar daquilo que acreditamos. O ser humano tem uma capacidade incrível para o amor, próprio e para os outros, mas o mal está-lhe inerente, desde o início dos tempos: o homem é naturalmente mau, já dizia Jean-Jacques Rousseau, juro que não estou a inventar nada! Bem, também não estou a querer dizer que é tudo feito por maldade, sou razoável antes de mais! Mas a verdade é que todos temos necessidades, dias maus e menor indice de paciência em certos dias ou em certas fases da vida e aqueles que estão mais próximos de nós têm que perceber isso! Não aos sapos na barriga, que nos tapam a garganta, enchem o estômago e não nos permitem por vezes até engolir a comida (ok, Novembro?).
Até porque podemos sempre aprender qualquer coisa, pois, já que a D. Lidia Weber é psicóloga, ela continua e diz-nos que às vezes basta compreender que não podemos agradar a todos o tempo todo e usar mais frequentemente um palavrinha: não(*)! *j*t*
(*) Lidia Weber, psicóloga em Curitiba, Brasil.
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